E a Seobras-RJ não se toca...

Ela agora quer coordenar o "Comitê Gestor do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável" da região de Visconde de Mauá


Na minuta do decreto estadual que criará o "Comitê Gestor" previsto para implementar, nos próximos anos, o "Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável" regional, está previsto que a sua coordenação caberá à Secretaria de Obras do Estado do Rio de Janeiro.

Mas o que a Seobras-RJ tem a ver com o "desenvolvimento sustentável" de uma região ecoturística em Área de Proteção Ambiental (da Serra da Mantiqueira), que exigiria um "Comitê Gestor" de alto nível técnico e ético?  Por que não a Secretaria de Ambiente, de Turismo, ou até mesmo da Indústria e Comércio?

Para quem não conhece o "padrão Seobras/DER-RJ", reunimos abaixo algumas evidências de seu despreparo para coordenar nosso desenvolvimento.

Se seus dirigentes não souberam elevar o padrão nas ações que lhes competem - de engenharia rodoviária -, como querem agora coordenar atividades ligadas à sustentabilidade de uma região frágil e já tão pressionada, onde o nível de qualidade na governança local precisa ser excelente?

 
1. Asfaltamento da RJ-163
2. Asfaltamento da RJ-151
3. Requalificação da vila de Visconde de Mauá
4. Centro de Turismo e Artesanato: o grande elefante branco
5. Ausência de canteiro central logo em frente ao Colégio e ao Posto de Saúde
6; O padrão do acabamento abaixo de qualquer critério
7. Erros de planejamento e atrasos na execução
8. Erros de comunicação e de português

1. Asfaltamento da RJ-163
A obra de pavimentação dos quinze quilômetros enttre Capelinha e Visconde de Mauá, iniciada em realizada do início de 2010 ao final de 2011, c
aracterizou-se pelos cortes temerários das encostas, que prometem deslizamentos crescentes por causa do caos climático em andamento. A preocupação da Seobras/DER foi construir uma estrada para um trânsito intenso, que corresponda a uma população e a uma visitação que a região jamais comportaria. Como pode agora querer coordenar um Comitê Gestor para o Desenvolvimento Sustentável?
Acima, exemplos notáveis de deslizamentos ocorridos com chuvas muito abaixo do registro histórico da região para a estação chuvosa, e sem comparação com os índices pluviométricos de outras áreas serranas e litorâneas fluminenses nem tão distantes daqui. Abaixo, buracos e mais buracos, buracos dentro de buracos, buracos tapados de novo esburacados, esse é o padrão da Seobras/DER e de seus fornecedores. A RJ-163 já teve mais de 150 buracos tapados desde mesmo antes de sua inauguração.

2. Asfaltamento da RJ-151
Para pavimentar a RJ-151, a Sebras/DER contratou a mesma empresa que asfaltara a RJ-163, apesar da péssima qualidade do serviço executado. Resultado, os mesmos cortes temerários que prometem desbarrancamentos e prejuizos, e o mesmo asfalto que esfarinha ou racha antes mesmo de inaugurada a pavimentação da estrada.
Acima; não há a menor chance dessas encostas abruptas não irem se desfazendo em deslizamentos e voçorocas gigantes. Quem se lembra de como era bonito o corredor verde que existia ao longo do Rio Preto, por onde se podia caminhar sem risco entre as vilas e os atrativos da região?
Abaixo, à esquerda, o buraco 000001 da RJ-151; ao lado, o 000007, em novembro de 2013

3. Requalificação da vila de Visconde de Mauá
A pretexto de "requalificar" a vila de Visconde de Mauá, a intervenção da Seobras, em parceria com o Prodetur, dinheiro do BID etc., descaracterizou um simpático vilarejo rural da serra da Mantiqueira em um cenário falsificado que só engana os visitantes muito pouco esclarecidos.
A falta de planejamento da obra, que obrigou a comunidade de Visconde de Mauá a conviver por três anos com a sua única via no estado que se vê acima, se reflete em tudo que a Seobras-RJ executa ou providencia, como as inúmeras tampas de bueiro da rede de saneamento, inaugurada há três anos, que quebram como se fossem de isopor ou compensado (abaixo).

4. Centro de Turismo e Artesanato - o grande elefante branco da Mantiqueira
Um prédio  com interesse histórico para o lugar foi demolido e substituído por um "elefante branco" distoante, desproporcional e insustentável.
Acima, o prédio da antiga resfriadeira de leite da cooperativa que por anos esteve no centro da vida econômica da região. Em vez de ser reformado sem perder sua singeleza, para servir de centro de visitação e de memória da região, foi substituído por um monstrengo modernoso, sem ninguém saber quem será o responsável por sua custosa operação e orçamento milionário. Abaixo; há três anos o maior elefante branco abandonado de toda a Mantiqueira desmoraliza o governo, ofende os moradores e  espanta os turistas.
Abaixo, para quem não conhece nem imagina, uma visão posterior do elefante branco cada vez mais encardido de Visconde de Mauá, e o cronograma que previa que todo o complexo cultural estaria pronto em junho de 2012 (dezoito meses atrás).

5. Falta de canteiro central em frente ao Colégio Estadual e ao Posto de Saúde
Depois de retomada, a obra de pavimentação vem apresentando uma qualidade bem abaixo de sofrível, com erros notáveis como a interrupção do canteiro central justamente em frente ao Colégio Estadual Antônio Quirino e ao Posto de Saúde.
Acima: são muitos os motivos para manter o canteiro central em frente ao Colégio Estadual Antônio Quirino e ao Posto de Saúde vizinho. Trata-se dos locais de maior movimento de pedestres atravessando a via que na verdade é uma estrada - a RJ-151, cujo tráfego só fará aumentar nas próximas décadas. O empobrecimento visual e a desvalorização do Colégio, do Posto e de seus usuários é flagrante, justamente quando precisamos estimular nos jovens e na comunidade em geral Abaixo, mensagem enviada às associações empresariais locais e às autoridades envolvidas, assinada por cem cidadãos-eleitores, mas sem qualquer resposta até hoje.

6. Padrão de acabamento abaixo de qualquer critério
Depois de retomada, a obra de pavimentação vem apresentando uma qualidade bem abaixo de sofrível, com erros notáveis como a interrupção do canteiro central justamente em frente ao Colégio Estadual Antônio Quirino e ao Posto de Saúde, e os quebra-molas instalados na via.
Acima, vejam como se torturam árvores na suposta "pérola do turismo ecológico fluminense", instalada na Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira, alvo de inúmeros programas de educação ambiental promovidos por vários órgãos públicos sem qualquer efeito notável. Primeiro cimenta-se o solo até encostar na casca das árvores, depois, o apedrejamento inexorável. Acima à direita e abaixo, impressiona a qualidade dos materiais usados num quebra-mola que deve resistir à passagem de veículos e pedestres. E notem o padrão do acabamento do trabalho com cimento.

7. Erros de planejamento e atrasos no cronograma
A Seobras-RJ vem adotou um planejamento insuficiente e deturpado desde o início, quando, em reunião "extra-oficial" em novembro de 2009 numa pousada privada no vale da Grama, interferiu junto às associações locais, recomendando-lhes que saíssem do Conselho Gestor da região, com a finalidade de enfraquecê-lo e evitar que ele desempenhasse a incumbência, incluída na Licença de Instalação da obra emitida pelo INEA-RJ, de acompanhar a implantação das compensações ambientais previstas no Plano Básico Ambiental.  Além da perfídia (órgão público estadual sabotando órgão público estadual), e com o CG enfraquecido, as exigências da LI puderam ser relaxadas e os cronogramas estourados em - agora - um ano e meio além do previsto para a urbanização da vila.
Acima, declaração de velha liderança empresarial esclarece mistério da saída em conjunto das associações comerciais do Conselho Gestor, e cronograma dando como prazo final uma data vencida há 18 meses.  Abaixo, a Seobras prossegue insensatamente ao contratar o Sebrae-RJ - entidade reconhecidamente ligada aos interesses empresariais - para elaborar um "Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável" para a região, apesar do potencial conflito de interesse entre a promoção dos negócios e a busca da sustentabilidade. Na verdade, esse Plano deveria ter sido elaborado antes da facilitação do acesso e boom imobiliário, juntamente com o pórtico com pedágio previsto para evitar a supervisitação e a degradação que ela inevitavelmente acarreta. Agora esse pkanejamento está sendo realizado com um ano de atraso, e - pior - sem chance de chegar a algo remotamente parecido com um "Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável" de verdade.

7. Erros de comunicação e de português
A comunicação da Seobras/DER-RJ é outro aspecto a denunciar a incompetência e o desmazelo. Se seus técnicos se comunicassem melhor com a comunidade antes de perpetrarem suas obras, muitos problemas - vários deles irreversíveis - teriam sido evitados. Mas como dialogar com quem escreve "CONCERVAÇÃO"?
Acima, uma das três placas vagabundérrimas (vejam só que estrutura mabembe) com o mesmo erro crasso e absurdo de português no próprio nome da instituição que assina o comunicado que a Seobras/DER instalou para anunciar um factóide. Apesar de várias vezes alertado, o DER preferiu deixar a placa se arruinar, tombada pelo vento com evidente risco para o trânsito. E - detalhe - a obra anunciada não foi realizada e o pórtico continua sendo uma promessa fraudada. Abaixo, vê-se que o DER sabe errar com convicção e até com capricho. Essas seis placas também permaneceram, três num sentido da estrada e mais três no outro, durante mais de um ano, anunciando uma obra que nunca foi feita e escandalizando quem transitava pela RJ-163.

Por todos esses motivos vergonhosos, a Seobras-RJ seria a pior opção para coordenar até mesmo um Comitê Gestor natimorto, "chapa-branca", criado de cima para baixo e sem a menor credibilidade junto às forças vivas e criativas da nossa comunidade.