Tudo para dar certo

Luis Felipe Cesar 

Resende é um município que reúne todas as condições para conciliar o desenvolvimento com a preservação do meio ambiente. Possui legislação própria, órgão gestor (Agência do Meio Ambiente - Amar), conselho municipal, fundo municipal, equipe técnica e de fiscalização. Realiza licenciamento ambiental, em convênio com o órgão estadual – Inea, mas mesmo antes do convênio já exercitava sua competência institucional. A Guarda Municipal tem um Grupamento Ambiental especializado, experiente, com atribuição legal para apoiar a Amar e a sociedade no controle das infrações ambientais. O horto, batizado de Oficina de Florestas, pode produzir dezenas de milhares de mudas de árvores anualmente. Funcionários públicos municipais qualificados atuam em todos os setores. Educadores competentes e comprometidos integram a rede de ensino, municipal e estadual, e se articulam através do Crear - Centro de Referência em Educação Ambiental.

Ao longo das últimas décadas iniciativas pioneiras projetam o município além de suas fronteiras, com destaque para: a luta pela recuperação do Rio Paraíba do Sul, bem representada pela sede da Agevap nas dependências da Associação Educacional Dom Bosco - AEDB; o projeto de Ecodesenvolvimento do Maciço do Itatiaia; a criação de uma das primeiras Áreas de Proteção Ambiental (APA) municipais do Brasil, na Serrinha, com Plano Diretor, Conselho, Plano de Gestão e sede do Grupamento Ambiental da Guarda Municipal; criação de legislação específica para a porção de seu território abrangido pela APA Federal da Serra da Mantiqueira, região de Visconde de Mauá, que também conta com um conselho gestor representativo. Some-se ainda a presença do primeiro parque nacional do País, criado em 1937 e ampliado em 1982, compartilhado com os municípios de Itatiaia e Itamonte, que impõe possibilidades, méritos e responsabilidades adicionais.

Todo esse contexto histórico e institucional tem sua densidade reforçada pela diversidade social, cultural e geográfica de Resende. Planície, morros, montanhas, campo, cidade, floresta, um rio majestoso e dezenas de rios encachoeirados; indústria, comércio, turismo e agricultura; mineiros, cariocas, paulistas, alternativos, funcionários e executivos de grandes empresas.

As boas condições existentes permitem a plena continuidade e até o aprimoramento dos bons resultados, revertendo, por consequência, na manutenção de uma posição de destaque no que se refere à gestão ambiental. Mas a necessária continuidade e aprimoramento não é inercial. Não é automática. A complexidade e a visão sistêmica devem nortear cada passo na busca da evolução para uma sociedade sustentável. Para isso, cabe aos gestores públicos honrarem a história e as condições existentes; defenderem com firmeza o interesse público em todo momento; promoverem entendimento e respeito entre os diversos setores da sociedade; fortalecerem órgãos colegiados; valorizarem as instâncias de controle social; e, sobretudo, mediarem os processos de participação e decisão a fim de, todos juntos, construirmos um futuro de justiça, digno de ser esperado embora não nos pertença, mas pelo qual somos responsáveis e protagonistas.

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