Será que tem jeito?

Por Lino Matheus

 

A visão turistificante que nos vitima é um fenômeno geral, e faz parte da visão imediatista e estreita que preside os administradores e a maioria dos interesses comerciais envolvidos - e não só aqui.

Nas discussões em seminários e "consultas públicas", não se coloca (para não prejudicar o sagrado "business must go on...") sequer um indício das questões ambientais mais profundas, nem se alerta a população sobre as crises geopolíticas e ambientais já instaladas e iminentes, sua irreversibilidade e suas consequências.

É este império absoluto da mentalidade estreita e irresponsável que gera coisas como Belo Monte, trem-bala, Copa do Mundo etc. - o ufanismo mercantil transformado em Razão de Estado...

Faz-se do turismo um pretexto para maquiar a realidade, procurando ignorar que em menos de duas décadas toda essa estrutura artificial e sobretudo dependente, tão característica do consumismo e do turismo indiscriminado, de massa, estará em desagregação, vitimado por sua própria insustentabilidade.

Nossa região, a Mantiqueira, é um território estratégico e rural, pleno de potencialidades produtivas.

Pode-se admitir, entre suas atividades econômicas, até 30% de dependência com o setor turístico, mas essencialmente deveríamos estar zelando para os aspectos da autonomia regional, da produção alimentar, do encaminhamento educacional dos jovens para atividades produtivas e práticas, e da preservação da qualidade de vida de nossas comunidades, evitando transformar o lugar em mero quintal de fim-de-semana para arrivistas urbanos, e os seus habitantes  em dependentes impotentes do dinheiro que os visitantes - cada vez mais "econômicos" - se disponham a deixar na região.