Rio+20, Mantiqueira, Estrada-Parque
Luis Felipe Cesar
18/07/2012

http://ambienteregionalagulhasnegras.blogspot.com.br/2012/07/rio20-mantiqueira-estrada-parque.html

A intensidade dos fatos no mês de junho refletiram bem o andamento do mundo. A Rio+20 trouxe de volta velhas emoções e esperanças, agora amadurecidas e renovadas, apesar do momento muito diferente.

Depois de quatro dias no Rio, entre Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, atividades no Pavilhão das Montanhas e a mediação de um debate sobre o novo antiquado Código Florestal na Cúpula dos Povos, a minha participação na Rio+20 se encerrou na marcha que lotou a Avenida Rio Branco com mais de 60 mil pessoas. Nada como a alegria e o calor do povo na rua em defesa do Meio Ambiente.

Ainda na Rio+20, destaque para o Secretário de Estado Carlos Minc declarando adesão à Aliança para as Montanhas, em nome do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro, possibilitando integração com esse importante movimento mundial pelos ecossistemas de montanha.

Enquanto isso, foi decretado o Parque Estadual da Pedra Selada, mais nova unidade a integrar o Mosaico Mantiqueira, e muito em breve a serra também ganhará o Monumento Natural Pico do Itaguaré, em Cruzeiro-SP. Gradativamente, a Mantiqueira vai recebendo mais áreas protegidas.

Em Visconde de Mauá iniciou-se o processo de perícia das obras da Estrada-Parque, embargadas pela Justiça. A perícia técnica deverá subsidiar o Juiz para decidir o assunto. A primeira visita do perito à região foi tumultuada, com manifestações e agressões que não ajudam a desenrolar o caso. O único que se pode esperar é o óbvio: Que sejam identificados os ajustes necessários, que a estrada-parque aconteça conforme o projeto, que a governança integrada local seja implantada, que os procedimentos de controle sejam adotados, que se reestabeleça o respeito à diversidade de opiniões e que as leis sejam cumpridas.  Parece simples.

As estradas, que normalmente se prestam à união (da geografia e dos povos), neste caso ainda não encontraram seu destino histórico em Mauá. Um projeto que tinha tudo para dar certo se tornou alvo de conflitos de toda ordem que fazem ressurgir preconceitos pré-históricos.  Caricaturas e rótulos são distribuídos a qualquer um que se manifeste sobre o assunto, tornando o diálogo cada vez mais difícil. Quem se atreve a argumentar em defesa da legalidade é tachado de inimigo do povo, do bem estar e do desenvolvimento.

Felizmente a realidade é muito mais ampla e ainda existem pessoas capazes de enxergar a floresta além da árvore e a montanha além dos pastos. É urgente um esforço para reduzir as tensões tendo como base uma nova prática e um novo discurso. Entidades como o Sebrae, a Uerj e a PUC, que têm atuado na região, são fundamentais nesse processo, desde que estejam isentas e saibam compreender a complexidade regional. A questão da estrada será solucionada, mas de nada adiantará qualquer solução se as instituições e as lideranças não se engajarem de forma séria e comprometida na busca do entendimento.  Nada que seja imaginável justifica os últimos acontecimentos, com requintes de conspiração e violência.

As soluções de engenharia civil são as mais fáceis. O grande desafio será a engenharia social capaz de resistir ao novo momento que a facilidade de acesso propicia, sem ilusões nem preconceitos..