24 de Dezembro de 2009, Visconde de Mauá, Maringá.

Chegou hoje a certeza da Licença de Instalação da obra da Estrada-Parque que pavimentará as rodovias RJ-151 e RJ-163. Tem gente muito feliz, tem gente felizinha, tem gente preocupada e tem gente triste.

Quem está muito feliz fala do quanto vai melhorar, da beleza do asfalto, da imagem bonita do “guard-rail” nos mirantes, do bichoduto, do pórtico controlado, do pedágio, da segurança, da excelência do serviço, do progresso, da valorização de seus negócios, da ambulância correndo com seus doentes, do carro que vai deixar de quebrar tanto, da qualidade dos novos turistas. Os muito felizes parecem estar extasiados!

Quem está felizinho, fala do carro velho que não vai quebrar tanto, fala da ambulância que vai descer mais rápido, fala do comércio que pode melhorar e com algum receio fala que já está ruim como está, então deverá melhorar...

Quem está preocupado, está dizendo não saber por que é preciso tirar 8000 metros cúbicos de pedra para refazer um traçado que funciona há muito tempo; está reclamando porque as obras do esgoto pararam; está querendo saber como será a gestão disso tudo; questiona como serão as relações econômicas dentro da região com um fluxo maior de turistas; antevê a especulação imobiliária que expulsará  famílias que estão aqui há gerações, na contramão de seus novos proprietários; e avisa fervorosamente que a comunidade não está envolvida no processo de transformação.

Quem está triste, está triste porque sabe que não mais verá a paisagem como sempre viu, está triste porque reconhece que a memória é etérea, e virá o dia em que ele não mais lembrará da paixão que viveu por Mauá.

É evidente que não tenho nenhuma pesquisa para levantar esses números. Tenho apenas disposição e paciência para andar entre muitos, ouvir, compartilhar, sentir e amar Mauá.

Sinto tantas coisas diferentes a cada dia que passa, que percebo ser impossível determinar o que sinto mais! Entretanto, talvez por ser véspera de Natal, posso revelar o meu sentimento aqui e agora. Sem mentiras ou máscaras! Sinto-me triste (e um tanto preocupado).

Daniel de Brito