Para compreender o projeto do "complexo cultural" na vila de Visconde de Mauá

Por favor leiam as perguntas abaixo e sugiram melhoramentos ...

A ideia é convidar, em breve, alguém da Secretaria de Obras do RJ para vir esclarecer pontos obscuros do projeto de "revitalização" da "Praça do Pinhão" antes que seja tarde demais.  O Luiz Alves informou que o Subsecretário Vicente estaria disposto a vir aqui responder nossas perguntas.  Então vamos prepará-las, mas sempre com as
barbas de molho na Cidade da Música ...

O roteiro de perguntas abaixo limita-se a colher informações sobre a obra na praça central da vila de Visconde de Mauá, focando principalmente na construção do complexo cultural, na reforma do prédio da antiga "Resfriadeira", e em sua periferia imediata.

Outros aspectos incluídos no projeto de requalificação das vilas de Visconde de Mauá e do Lote 10, ficarão para outra comunicação, em breve.

Essas perguntas abaixo também poderão também ser encaminhadas ao Ministério do Turismo-PRODETUR, ao BID etc., já que essas entidades preferem que os projetos que financiam sejam elaborados de forma participativa para terem mais chance de serem bem sucedidos. Com certeza, também o IPHAN e o Ministério Público receberão cópias deste questionário, pois existem aspectos no projeto que estão relacionados com os mandatos daquelas instituições.


1.  Histórico da elaboração do projeto de ocupação da "Praça do Pinhão
1.1
Quando o projeto começou a ser elaborado? Por quem? Encomendado por quem? Quanto foi pago pelo projeto inicial? Qual foi a origem desses recursos?
1.2 Desde a data original até hoje, quais as principais alterações que o projeto sofreu, quando, por quê, por quem e por quanto?

1.3 Em alguma dessas fases houve participação dos moradores no encaminhamento de suas ideias, sugestões e preocupações?
1.4 Qual o valor do orçamento da obra, referente à construção do complexo cultural (favor informar o originalmente previsto e o realmente empenhado)
1.5 Que destino levou o projeto realizado por arquiteta e museóloga, encomendado e pago pela prefeitura de Resende (Casa da Cultura Macedo Miranda, gestão José Leon, em 2007), que previa a ocupação do prédio da "antiga Resfriadeira" transformado em "centro de memória e cultura" sem descaracterizá-lo externamente, e a um custo (inicial e de manutenção) muito menor do que o projeto atual? 
1.6 Por que o projeto acima citado, aprovado e pago, foi abandonado, embora fosse muito mais compatível com a nossa realidade? 
 
 
2.  Aspectos urbanísticos
2.1
Por que o projeto não prevê a manutenção da Praça do Pinhão, ainda que reduzida, mas devidamente urbanizada?
2.2 Por que o projeto prevê uma rua com lotes no lugar onde era a Praça, eliminando sua possibilidade de sobrevivência e adensando a população do centro da Vila.
2.3 Para quem serão destinados os novos lotes? Serão vendidos? Leiloados? Doados?
2.4 Essa nova rua não se localiza em terreno encharcado, de onde se origina um córrego (APP)?
2.5 Essa nova rua, com seu tráfego de pessoas e veículos, não está muito colada ao muro da Escola Municipal e suas crianças pequenas?
2.6 Por que a revitalização da Vila de Visconde de Mauá está começando pela descaracterização da Praça do Pinhão e do prédio da "antiga Resfriadeira" (com valor histórico, e ultimamente ocupado pelo Centro de Gestão Integrada da região do Alto Rio Preto), e não por outras intervenções muito mais úteis para a população, como a pavimentação do trecho de 1000 metros que vai do final da Vila de Visconde de Mauá até o final da vila do Lote 10, junto à Ponte do Juca? Essa pavimentação (com bloquete) eliminaria o problema da poeira que afeta a saúde e a paciência dos moradores do Lote 10.

3. Aspectos arquitetônicos e construtivos

3.1 Por que o projeto não buscou se harmonizar com a natureza e o clima, utilizando mais materiais naturais e rústicos, como pedra, madeira, e tijolo aparente, que não exigem manutenção, pintura etc?
3.2 Por que o projeto não preservou as características do prédio da "antiga Resfriadeira", que tem valor histórico e sentimental na região, uma vez que sediou durante décadas a principal atividade econômica local, ligada à produção leiteira? Em vez disso, o projeto descaracteriza completamente o prédio ao adotar uma estética moderna, que melhor ficaria em Brasília, e não em um ambiente rural e turístico.
3.3 Por que o projeto preferiu adotar imensas paredes brancas, sob telhados sem nenhum beiral? Ora, nas nossas condições climáticas, de chuvas cada vez mais torrenciais, logo essas paredes estarão mofadas e manchadas, demandando despesas que a prefeitura evitará realizar.
3.4 Por que o projeto arquitetônico não partiu de uma proposta de sustentabilidade máxima, focando nos princípios da bioarquitetura, nas tecnologias alternativas, na reciclagem, de modo a se tornar uma atração em si, como exemplo de equipamento público com mínimo impacto ambiental, integrando, entre as suas funções, a educação ambiental, o lazer e a geração de renda em atividades que envolvem energia solar e eólica, biodigestão dos efluentes dos banheiros, compostagem do lixo orgânico, horticultura urbana etc. Em vez disso, o projeto resultou em um complexo cultural que demandará permanentemente recursos cada vez mais escassos no futuro.
3.5 O projeto garante a existência de espaço físico para o funcionamento do Centro de Gestão Integrada e para as reuniões do Conselho Gestor, como era no antigo prédio e conforme previsto nos dois primeiros artigos do Decreto 1609, de 18/05/2007 ?


4. Aspectos econômico-financeiros
4.1 Qual o valor anual previsto para a manutenção predial do complexo cultural, incluindo material de limpeza, de banheiros, reposição de vidros e lâmpadas, repinturas, despesas com energia elétrica, etc.?
4.2 Quantas pessoas, minimamente, deverão compor a equipe de zeladoria do complexo cultural, incluindo faxineiros, vigias etc., e qual a verba anual necessária para manter esses serviços realizados satisfatoriamente?
4.3 Quantas pessoas, minimamente, deverão compor a equipe técnico-administrativa, encarregada de planejar e implementar as atividades do complexo cultural, e qual a verba anual necessária para manter a equipe?
4.4 Qual a verba necessária anualmente para a produção dos eventos culturais a serem realizados no complexo cultural?
4.5 De onde virão todos esses recursos? Foi feito um estudo de viabilidade econômica?  A prefeitura de Resende mal consegue pagar seus compromissos atuais, como irá arcar com despesas de tal vulto?


5. Aspectos sócio-culturais
5.1 Tamanho centro cultural não correrá o risco de passar a maior parte do tempo sub-utilizado, semi-abandonado, deteriorando-se como outros equipamentos municpais existentes na vila?
5.2 Foi feito algum estudo para definir que tipo de equipamento cultural ou turístico seria mais útil e prioritário para a população e para os visitantes?