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Recuperando a vila de Visconde de Mauá


      1 comentário: Joaquim Moura      
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A gritante degradação da vila de Visconde de Mauá, processo começado em 2007 com o início da construção do Centro de Turismo e Artesanato, hoje abandonado, e com a destruição da pavimentação da principal via da vila para instalar a rede de esgoto, começa a ser percebida pela população, afinal decidida a reagir por meio de reuniões e cobranças ao poder público municipal e estadual.

A primeira reunião ocorreu a 5 de abril de 2013, e conseguiu um remendo emergencial (ver fotos abaixo) no leito da Av.Venceslau Brás, depositando nele alguns "caminhões de fresa de asfalto" - providência que melhorou em 50% o desconforto que quem transita pela via, em 40% os respingos nas fachadas das casas e lojas da lama empoçada nos buracos na pista, e em 10% o aspecto visual da pavimentação em geral.

Outros problemas que contribuem para a decadência da vila, como a montanha de pedriscos depositada entre o "clube" de Mauá e o "Centro de Turismo e Artesanato", ou o próprio "clube" e o próprio Centro, abandonados e horríveis, nem chegaram a ser adequadamente discutidos e encaminhados.

Na segunda reunião, realizada em 25 de abril de 2013, estiveram presentes a engenheira representante da Seobras, o secretário de Obras da prefeitura de Resende e um vereador desse mesmo município, além de vários moradores, comerciantes e lideranças locais.

Mais uma vez a representante da Seohras justificou o atraso na conclusão das obras de "requalificação" alegando entraves burocráticos. Explicou ainda que a "requalificação" da vila não inclui o Lote 10 por que lá não "tem interesse turístico", na visão do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID. Esta informação deixou a todos atônitos com a falta de coerência: como iremos desenvolver o turismo num bairro se o outro, a apenas 500 metros, passar por um processo de decadência urbanística e socioambiental?

Após ficar claro que falta firmeza em todas as informações que o governo nos traz sobre o nosso futuro urbanístico, a reunião acabou bastante frustrada, sem acrescentar nada que renove nossa esperança de ver em breve a vila de Visconde de Mauá e o Lote 10 recuperados.

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Abaixo
, aspecto da Av. Venceslau Brás após a colocação da "fresa de asfalto" como solução paliativa emergencial para tapar os buracos na pista. Mais abaixo , o início da retirada da montanha de pedriscos no mesmo dia da 2a reunião, que contou com autoridades municipais e estaduais.


Comentários de Joaquim Moura

From: jmoura@hotmail.com
To: BEATRIZ Bornhausen e grupo
Subject: Reunião com representantes da Seobras
Date: Thu, 25 Apr 2013 09:26:56 -0300

Prezados amigos, caras amigas,

Igualmente preocupado com o estado da vila que dá nome à região (como morador e editor do sítio noticioso
amigosdemaua.net), volto a lembrar a conveniência de aproveitar essa mobilização da comunidade para fortalecer os instrumentos institucionais de participação cidadã, evitando que ela se disperse na informalidade e incapacidade de abordar os problemas de modo planejado e estruturado.

Como a experiência - brasileira e internacional - já demonstrou, as comunidades só têm chance de implementar estratégias coerentes e eficazes de desenvolvimento e sustentabilidade quando conseguem construir participativamente - governo, associações de empresários e entidades da sociedade civil - um "conselho gestor" para garantir que as interferências do poder público na região atendam de fato às prioridades da população, e não às do governo - como costuma acontecer.

Tentativas mais informais de influir na governança local costumam ter fôlego curto e serem incapazes de definir um projeto estratégico multidimensional, integrado e viável. Acabam quase sempre estabelecendo relações "clientelistas" com o poder da vez, conseguindo pequenos favores avulsos, aqui e ali um remendo, um evento, um factóide,  mas sem desenvolver uma visão abrangente e estruturada que oriente ações capazes de mudar essa realidade, onde a pavimentação detonada há 3 anos e o "elefante branco" encardido são apenas exemplos muito aparentes de um descalabro socioambiental muito mais grave.

Nosso amigo Sérgio Maia acaba de obter o grau de Doutor no Instituto de Economia da UFRJ defendendo tese sobre "governança ambiental e instituições no desenvolvimento sustentável da região de Visconde de Mauá ". Ele bem poderia nos escrever algumas linhas sobre a importância de um fórum de planejamento mais institucionalizado, permanente e republicano.

Ninguém discute o mérito das atuais reuniões informais em busca de soluções emergenciais para nossos problemas urbanísticos e visuais, que tanto prejudicam e prejudicaram os empresários que ousaram se estabelecer aqui, desmoralizam os moradores e espantam os visitantes, mas é bom lembrar que os compromissos assumidos pela representante da Seobras, em reunião oficial (apresentação de relatório do PBA sobre a requalificação da vila), nunca foram cumpridos.

Por favor, é muito importante gravar a reunião e, se possível, disponibilizar as imagens e o áudio pela internet - amigosdemaua.net está à disposição para socializar toda essa "experiência" de hoje com a comunidade em geral.


Cordialmente, Joaquim


Joaquim Moura
Para:
BEATRIZ Bornhausen e grupo
Data:
10 de abril de 2013 14:27:12
Assunto:
Reunião Aldeia dos Imigrantes. 05 /04/2013
Prezad@s,
Para contribuir no esforço para recuperar a vila de Visconde de Mauá, e subsidiar nossa demanda junto aos órgãos publicos municipais, estaduais e federais envolvidos, gostaria de oferecer ao nosso "coletivo" a
documentação fotográfica e as análises que "amigosdemaua.net" já vêm realizando desde que a obra - a nosso ver insólita e impertinente - foi iniciada, em 2011.
Gostaria ainda de destacar um
roteiro de perguntas (jamais respondidas) que encaminhamos em novembro de 2011, e que pode bem orientar quem quiser saber melhor como todo este descalabro se abateu sobre a vila (e a região), apesar de tantos avisos.
Acredito que um dos fatores que viabilizaram toda esta degradação foi o enfraquecimento do Conselho Gestor, ilegalmente
sugerido pelo próprio governo estadual (conforme depoimento de Lauro Caldeira, da Mauatur) e imediata e incompreensivelmente acatado pelas associações locais - incompreensivelmente por que tal "tática" de enfraquecer o CG só "convinha" ao governo, jamais à nossa comunidade, que tinha no CG um fórum participativo e tripartite (estado, empresários e sociedade civil), reconhecido pelos governos municipais (Resende, Itatiaia e Bocaina) e estadual, e onde todos estávamos representados!
Cordialmente, Joaquim