Seminário sobre os impactos resultantes da pavimentação da rodovia RJ-163 sofre suas primeiras alterações

A partir de dezembro de 2010, quando houve uma mudança em sua coordenação, o formato do Seminário originalmente proposto (ver aqui ) passou a ser muito alterado - apesar da recomendação de só alterá-lo diante de sugestões realmente irrecusáveis, que fossem melhorá-lo efetivamente.

Nada de mudá-lo só para atender "democraticamente" propostas inconsistentes, ou para alcançar um consenso medíocre, capaz de tornar nosso Seminário mais um factóide inócuo, como tantos outros que vimos acontecer por aqui e pelo Brasil afora.

Exemplo de alteração contraproducente: antes, no projeto original, havia três grupos temáticos, entre os quais seriam divididos os pouco mais de 20 impactos listados na oficina da PUC-Petrobrás.

  1. Infraestrutura
  2. Sustentabilidade
  3. Economia/Turismo

Agora, de acordo com a nova coordenação do Seminário, os 20 e poucos impactos serão divididos nesses três grupos temáticos:

  1. Planejamento, infraestrutura e governança
  2. Proteção e manejo das unidades de conservação e governança
  3. Cultura de sustentabilidade e governança

Melhorou? Piorou? Complicou? Sofisticou? Escondeu? Desfocou? Diluiu?  Pois é...
E como ficou a nova distribuição dos impactos, divididos por esses três novos grupos temáticos? Ninguém foi informado até agora, a menos de um mês (!) da data originalmente prevista (14-15/02). 

Abaixo, vejam como a redatora/editora/revisora/diagramadora do jornal Folha da Serra interpretou as declarações da coordenadora, pelo INEA, do Seminário. Note-se a descrição do "principal objetivo":

Como se vê, o assunto "PBA", do qual o Conselho Gestor já tratou há seis meses atrás (ver relatório ), está de volta contrabandeado para dentro de nosso Seminário sobre os impactos (de médio e longo prazos) da pavimentação da RJ-163, enquanto que aquele finado Plano tratava de questões de curto prazo ligados à construção da tal "estrada-parque" - nome que não tornaremos a usar para denominar aquela rodovia precocemente deteriorada.

No Seminário sobre Impactos (como originalmente proposto), o PBA seria - naturalmente - muitas vezes citado e identificado como instrumento importante para lidar com certos efeitos negativos da facilitação do acesso. Mas só nesses casos, com evidente relação com a mitigação (ou otimização) dos efeitos de determinados impactos. Do mesmo modo como também se mencionariam, certamente, as "diretrizes" do Conselho Gestor e os "requisitos" da Mauatur, sempre que relacionados com o manejo de impactos específicos. Com a diferença, é lógico, que o PBA é um instrumento oficial, com responsabilidades inarredáveis e recursos suficientes para cumprir seu mandato, caso haja a "vontade política".

Outro assunto que também motiva preocupação é o plano da coordenação do Seminário de criar uma "identidade visual" para o Seminário. O risco é criar uma imagem "promocional", que não retratará devidamente a origem comunitária e o aspecto técnico do Seminário, mas antes servirá como mera publicidade, muitas vezes enganosa, das entidades que estão a promover o evento. Afinal, para quê o Seminário precisa de uma "identidade visual"? O Seminário não precisa de folder nem cartaz, nem pasta nem bloco etc. Só precisa de convites bem escritos e diagramados e de uma apresentação em PowerPoint bem feita, possivelmente com seu conteúdo impresso para distribuição aos participantes.

Ou estará a coordenação pensando em criar um folder padrão INEA? Isso seria outro modo certeiro para diluir a mensagem do Seminário, substituindo-a por uma propaganda enganosa como a que se vê abaixo. N.E.: notem que a expressão "Estrada-Parque" é escrita todas as vezes sem hífen, contrariando a norma da língua e o próprio decreto estadual RJ-40979/2007, que "Define os parâmetros para o estabelecimento de Estradas-Parque no Rio de Janeiro e dá outras providências"


Também preocupa a nova decisão de realizar palestras durante o Seminário, onde especialistas nos informariam sobre aspectos importantes dos temas em debate. A ideia original era contar com esses especialistas nos três grupos temáticos, esclarecendo, enriquecendo e até conduzindo a discussão, mas pulando essa parte de ficar falando por 30 minutos cada, como está agora previsto. N.E.: Na realidade, nem os especialistas vieram ao Seminário do INEA (afinal realizado em julho de 2011), substituídos pelos inefáveis palestrantes do naipe de Vicente Loureiro, Luis Firmino, Pegê, Constantino Martins Jr.

Lembro que em 2006 foi realizado um Seminário sobre lixo (quatro dias), cujo formato original previa a discussão de soluções para nossa realidade. Acabaram convidando vários palestrantes que pouco tinham a nos acrescentar face à nossa realidade. Tomaram um tempo precioso que acabou faltando na hora de discutir e definir propostas para o manejo inovador dos nossos resíduos sólidos. Resultado: nada mudou de fato.

Por fim (e de volta à realidade), há a questão do prazo, que está correndo sem que se defina a lista de convidados, e uma estratégia para abordá-los e envolvê-los antecipadamente na problemática que irão nos ajudar a equacionar, de modo a aproveitar ao máximo o tempo disponível nos dois dias de Seminário. A ideia original incluía a distribuição do convite cerca de 15 dias antes do evento, acompanhado por informações básicas do que será discutido, informações essas que estariam antecipadamente disponíveis na internet para permitir uma troca preliminar de impressões entre os interessados. 

Joaquim Moura