Textos de participantes relatando o "Seminário sobre Impactos e Governança referentes à pavimentação das RJ-163 e RJ-151" promovido pelo INEA-RJ
Visconde de Mauá - 6 e 7 de julho de 2011
 
Fotos: Darshana Bühler 
 



06/07/2011
Após dois adiamentos, Seminário Estrada-Parque Visconde de Mauá começa hoje
Luis Felipe Cesar / "Ambiente Regional - Opinião e Notícia"
http://ambienteregionalagulhasnegras.blogspot.com/2011/07/apos-dois-adiamentos-seminario-estrada.html

O Seminário sobre os Impactos Socioambientais e Governança na Região de Visconde de Mauá - Referentes à Pavimentação da RJ 163 e 151, primeira Estrada-Parque do estado do Rio de Janeiro, começou hoje de manhã.

Ao chegar no alto da serra, me surpreendi com o sinalizador que determinava a paralisação do trânsito, exatamente às 9 horas, horário previsto para o início do evento. Após quase 20 minutos parado cheguei a pensar o pior... Finalmente a estrada foi reaberta e a imensa fila de carros prosseguiu até a Vila de Mauá, onde nos aguardava um farto café da manhã produzido com produtos locais pela Associação de Produtores da região.

A mesa de abertura foi composta por Luiz Firmino (SEA), Vicente Loureiro (Seobras), Paulo Fontanezzi (Amar-Resende) e Domingos Baumgratz (Secretaria do  Meio Ambiente de Itatiaia).

De forma geral, todos afirmaram o compromisso com a aprendizado inerente ao processo, considerando que essa é a primeira estrada-parque construída pelo DER-RJ. Reconheceram dificuldades, erros, conflitos. Vicente Loureiro destacou o "amadurecimento político" da comunidade. Fontanezzi lembrou sobre a importância de união e fortalecimento do Conselho Gestor, incluindo o retorno das entidades que se afastaram do colegiado .

Retomarei o relato amanhã. Vejam as fotos feitas por Felipe Cesar:


Date: Wed, 6 Jul 2011 22:37:26 -0300
From:
andrepol@infolink.com.br

Bom dia a todos,

A operação com algumas alterações saiu melhor que esperava, matei dois coelhos com apenas uma paulada...
Cheguei atrasado e não pude buscar a terra, estava meio assim, pois fiquei sem aliados, Joaquim não participou (teve que ir ao Rio - N.E.). Mas levei 50 cópias do laudo da APA (que o Joaquim ajudou a produzir - N.E.) e distribuí aos presentes, incluindo as autoridades. Somente  PG ainda não havia recebido...

Começa a palestra de PG por volta das 11hs, ele fala de seu esforço pessoal nos últimos 10 anos para o planejamento da urbanização das vilas; num dado momento ele começa a chorar, simulando emoção ante tamanho feito....
Levantei fui até a mesa de autoridades, coloquei o laudo sobre a mesa e disse bem perto dele e do microfone: "agora você vai chorar com vontade!"
Maior confusão, Firmino vem desesperado e falando alto fora do microfone questiona o laudo, dizendo que é muito genérico e que não tinha conhecimento do fato.

Aí, meus caros, o bicho pegou!  Esculachei, disse que tudo ali é uma mentira, que fiz denuncia por telefone, por escrito e pessoalmente a ele e ao Minc na ultima reunião e que após meses de espera finalmente obtive resposta somente da APA.

Ele ficou sem expressão, e me garantiu que enviará a equipe para analisar, virou e foi saindo da sala. Persegui-o até a esquina mais próxima e solicitei que me informasse o dia da vinda dos técnicos, pois que quero acompanhar a vistoria; disse-lhe ainda que, independente dos resultados, o mesmo irá responder por omissão.

Ele foi andando sozinho, meio catando cavaco e ligando desesperadamente pelo celular, e nunca mais foi visto no seminário promovido pelo INEA... Patético...

Não foi sem resitência. Quando fiz a manifestação, Osvaldo Caniato , Ricardinho e Jussara Nunes gritavam "vá embora" "cale a boca", mas alguém (Zé Tavares - N.E.) lá no fundo lembrou que a proposta era trabalhar a participação social, e eu emendei dizendo: pois é, o Lauro Caldeira fala todo tipo de atrocidade e ninguém questiona. E o Fernando, marido de Jussara, disse: "vai tomar porrada"... É mole?

Na sequência, George Sander e outros manifestantes entraram com uma faixa com dizeres e circularam pela sala e depois a fixaram na entrada do evento; continua lá até agora.

Amanhã prometeram espaço para a apresentação de slides...
Reunimos um grupo de simpatizantes, Leo Gatti, Cecile , Alvaro Braga , Luis Felipe e outros para estarmos em maior número que os jacarés no GT que abordará o tema "infraestrutura e planejamento".
Alvaro estava presente e resolveu voltar à batalha... Devemos encaminhar representação aos MPs na sexta-feira juntamente com Alfredo (e com Joaquim - N.E.).

NA parte da tarde, o clima mudou, aquela falação dos politicos deu espaço a vários questionamentos.
Constantino pagou um micão com sua apresentação do Plano Básico Ambiental - PBA  que não dizia nada, todos malharam e segundo soube, o seu superior lhe passou um "pito". Ele, além de não saber o conteudo da apresentação, teve dificuldades para ler o Powerpoint... coisa mais ridícula.
Os números apresentados estão muito estranhos como sempre.
Abs, André.


Date: Thu, 7 Jul 2011 20:03:42 -0300
From:
linomath@gmail.com

Prezados companheiros,
 
Aproveito rápido acesso à  Web para enviar minhas saudações e firmar minha solidariedade e apoio pelas  intervenções desmascarando  a famosa ecofarsa da estraga-parque e colocando  na parede esse bando  de tecnocratas arrogantes e irresponsáveis(  e seus apoiadores... )
 que decidiram destruir - irremediavelmente - nossa paisagem, natureza e qualidade de vida para favorecer os mercadores que assombram nossa região e conservar seus postos, remunerados com nosso dinheiro.
 
Infelizmente estou adoentado há mais de um mês e neste momento estou em Resende por uns dias fazendo exames médicos, como talvez o Álvaro tenha informado.
 
Cumprimento o André pela sua corajosa atitude e fico satisfeito em ver que surgem novos soldados na linha de frente, permitindo algum "repouso " para os velhos guerreiros....
Até  breve.
 
Abraços e a amizade do Lino


From: moscalito@hotmail.com
Date: Thu, 7 Jul 2011 20:16:00 -0300

Parabéns ao André, George Sander e demais que se manifestaram e deram a cara a tapa.
Meus pêsames aos censuradores e puxa-sacos de plantão.
LFMahal 


From Juliana Mello
Date: 07/07/2011 - 16:20:12 -0300
Grupo "Visconde de Mauá e Alto Rio Preto" - Facebook

A mesa sobre o PBA no Seminário foi uma vergonha, fiquei perplexa... Parecia que o Constantino estava lendo aquelas informações pela primeira vez, sem saber de nada e com uma tamanha cara-de-pau ainda disse: " A implantação dos programas do PBA teve início junto com as obras e tudo está sendo realizado... É que muita coisa não dá pra ver...".

A população que estava vendo aquilo pela primeira vez, sem saber do que se trata, achou uma beleza... AQUELA PESSOA NÃO PODERIA TER TIDO A PALAVRA SEM A INTERFERÊNCIA DE UMA AUTORIDADE, EM PLENO SEMINÁRIO DO INEA. Estou completamente indignada!


From: Maria Cecilia Portugal
Date: Fri, 8 Jul 2011 13:42:02 -0300
Grupo "Visconde de Mauá e Alto Rio Preto" - Facebook

Ju, tem toda razão quanto ao Constantino , acho que nem ler o cara sabe fazer direito....uma vergonha. Também aquele Fabricio DER,parecia não saber a que tinha vindo.É bom que ele saiba que os caminhões da obra, que descem a estrada às 17:00 hs vão em tal disparada... que não subo mais a serra nesse horário.Evito por puro medo....


From:
marcelo.brito.rj@gmail.com
Date: Fri, 8 Jul 2011 17:18:29 -0300

Prezados,

Estive presente nos dois dias de seminário e participei do fórum de discussões sobre "Planejamento e Infraestrutura". Gostaria de apontar e registrar alguns fatos sobre esse fórum:

  • Não houve representantes de quaisquer orgãos estaduais (UERJ, DER, Secretária de Obras, etc...).
  • Não houve representantes de nenhuma das associações comerciais (MAUATUR, ACVM, APROVIM) da região nesse fórum.
  • Eu, sou associado, e estava representando a ASSOMAR, mas não havia ninguém de qualquer outra associação de moradores da região (Mais para o final da reunião, chegou o empresário Lauro Caldeira, liderança da Mauatur - N.E.).
  • As prefeituras de Itatiaia e Resende, estavam representadas no fórum. (Aliás, diga-se de passagem, a prefeitura de Itatiaia se fez representada por 4 secretários municipais e outros assessores, durante os dois dias de fórum. Considero esse dado importante pois sempre ouço reclamações da falta de participação da prefeitura de Itatiaia, e repito o que me foi dito pela Chefe de Gabinete da prefeitura. "Nunca recebemos convites oficiais para nada na região. Se convidados, daremos um jeito de, na pior das hipóteses enviar um representante oficial". Desde então repasso os convites que recebo para eles, e em todas as reuniões de que participo, sempre há algum secretário municipal de Itatiaia presente.
  • O Conselho Gestor (através de ONGs locais) e a Fundação Mantiqueira estavam presentes.

Não há como reclamar quando surgem os comentários de que os projetos serão realizados à revelia da opinião pública com a conivência das associações empresariais.  O fato é que a pouca importância que esses orgãos dão às discussões sobre assuntos relativos às obras levam ao fortalecimento desses comentários.

Abs, Marcelo Brito


From: Jean Pierre Verdaguer
Date: 09/07/2011 - 02:40:25 -0300
Grupo "Visconde de Mauá e Alto Rio Preto" - Facebook

Verdade seja dita, muitos aspectos do seminario foram positivos, sim. Entre eles, o fato de as "autoridades" chegarem completamente despreparadas e pagarem o maior mico do século nas palestras. Ninguém mandou bem, a casa estava cheia e, pela primeira vez, não houve quem tenha caído no papo furado da curriola do governo.

As mascaras caíram uma a uma até chegar a hora da própria comunidade arregaçar as mangas e detonar nos fóruns. Nunca vi tanta gente diferente junta, se empenhando para encontrar as melhores soluções. Pena que as matrizes da PUC fossem tão ruinzinhas; senão o resultado seria muito melhor. (N.E.: a tabela-matriz foi preparada a partir da lista de impactos levantada em oficina de educação ambiental promovida pela PUC/Petrobras e prefeitura de Resende, em 2009, e da pesquisa realizada pelo Conselho Gestor em 2011; o problema maior foi a maneira como a tabela foi "montada" pela equipe do INEA, complicando e desfocando os assuntos).

Mas valeu para vermos que ainda podemos trabalhar juntos por um objetivo comum. E espero que tenha valido para o Inea (Pólita e Daniel) perceber o quanto tudo poderia ter sido mais eficiente se ouvissem mais a turma de dentro e menos a turma do balacobaco.


09/07/2011
Seminário reúne novas propostas para Estrada-Parque
Luis Felipe Cesar / "Ambiente Regional - Opinião e Notícia"
http://ambienteregionalagulhasnegras.blogspot.com/2011/07/seminario-reune-novas-propostas-para.html

Preocupadas com a região de Visconde de Mauá, cerca de 150 pessoas participaram do “Seminário sobre os Impactos Socioambientais e Governança da Estrada-Parque”. O evento, que aconteceu no Clube de Visconde de Mauá, no centro da localidade, se referia à pavimentação das estradas RJ–163 que liga a vila de Capelinha à região de Visconde de Mauá, em andamento, e da RJ-151, que liga Mauá às vilas de Maringá e Maromba, e que será realizada na próxima etapa do projeto.

O evento ocorreu em dois dias, quarta-feira e quinta-feira, 6 e 7, dividido em temas específicos, conforme a programação. A abertura do Seminário aconteceu na quarta-feira, 6, com a presença do Subsecretário Executivo da Secretaria Estadual do Ambiente, Luiz Firmino, e o Subsecretário de Projetos de Urbanismo Metropolitano da Secretaria Estadual de Obras, Vicente Loureiro . Os secretários falaram sobre os estudos previamente realizados para a implantação da Estrada-Parque e do controle de fluxo turístico com o pórtico na entrada e outras medidas que serão implantadas para preservar as belezas naturais da região.

Em seguida, a apresentação foi do Departamento de Estradas e Rodagem do Estado do Rio de Janeiro (DER) para explicar as técnicas utilizadas nas obras das rodovias. “Atualmente temos 12,5 km asfaltados, falta somente 2,5 km. Conforme nosso cronograma, a pavimentação da RJ – 163 irá terminar no final deste mês de julho. A partir de setembro começam os trabalhos de sinalização e finalização de todo o projeto. Pronta mesmo a estrada só deverá ficar no final de outubro, porque ainda haverá reforma na vila de Visconde de Mauá, construção de Biblioteca, calçamento, entre outras melhorias. É um projeto espetacular” elogia o engenheiro do DER, José Roberto.

Representando a Secretaria Estadual de Obras (Seobras), Paulo Gustavo iniciou uma apresentação sobre os projetos de revitalização das vilas e o licenciamento dos projetos. "PG", como é conhecido, se emocionou durante o discurso e foi interrompido pelo biólogo André Pol, que questionou sobre a falta de providências da fiscalização do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) quanto à denuncia por ele efetivada sobre corte da mata ciliar do Rio Marimbondo. Segundo André, intervenções para alargamento do leito da estrada são responsáveis por explosões de rochas, assoreamento do rio e desmatamento em área de preservação permanente na chegada da vila. Luiz Firmino imediatamente garantiu que tomaria as providências cabíveis. Após diversas manifestações do público, desaprovando e aprovando a crítica do biólogo, PG retomou sua apresentação.

Sobre as responsabilidades da implantação do projeto e a participação da comunidade, o supervisor do Plano Básico Ambiental (PBA), Constantino Pedreira Martins Júnior , explicou, além do PBA, o plano de monitoramento do trânsito na estrada durante as obras. O supervisor foi questionado pelo público sobre as medidas que vêm sendo tomadas. “Estamos colocando placas pedindo aos usuários que trafeguem na velocidade máxima de 30 km, e a própria equipe envolvida nas obras vem monitorando, não há como coibir os motoristas, a não ser com medidas educativas e sinalização. Para a conscientização já está sendo feito o desenho de folhetos pedindo controle no trânsito para evitar acidentes” informou Constantino . Além do fluxo de veículos, outras questões foram apontadas pela platéia, e uma delas foi sobre o andamento e avaliação das ações do PBA e de que forma essa análise poderia ser aplicada na obra a ser iniciada na RJ-151, a fim de reduzir seus impactos ambientais. O estudo ficou de ser apresentado num evento específico.

Participaram também da mesa de autoridades e dos debates do Seminário: Maria Cristina Soares de Almeida, do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam); os secretários de planejamento de Itatiaia, Ruy Saldanha, e de Resende, Alfredo José de Oliveira; secretários de Meio Ambiente de Itatiaia, Domingos Baumgratz, e de Resende, Paulo Fontanezzi ; o secretário de Obras de Resende, Rubens César Moreira, entre outras autoridades.

Segundo a gerente de Educação Ambiental do Inea e uma das organizadoras do Seminário, Pólita Gonçalves, todas as propostas feitas durante o evento serão analisadas. “Após os esclarecimentos e debates, baseados nas opiniões sobre os impactos, será elaborado um relatório sobre cada fórum de acordo com seus respectivos temas, e serão encaminhados aos órgãos responsáveis para mapear os projetos e soluções” explicou Pólita .

Entre as diversas propostas, destacam-se: o fortalecimento do Conselho Gestor, a existência de um centro administrativo regional e a gestão integrada, com ênfase na integração e melhoria da segurança, do transporte e dos planos diretores dos três municípios, que deverão estar articulados com os planos de manejo do Parque Nacional do Itatiaia e a APA da Mantiqueira.

Mais informações sobre o projeto Estrada Parque podem ser obtidas pelo e-mail: estradamaua@obras.rj.gov.br ou no endereço do site do seminário: www.seminariomaua.com.br


10/07/2011
Avaliação do seminário por Jean Pierre Verdaguer

Sobre o seminário em si, pode-se dizer que foram dois dias inteiros de exercício cívico intensivo. Atente-se para o termo “exercício”, no sentido de treino, de prática. Porque se fosse uma prova ou exame final, o resultado seria a reprovação na certa.

O Inea, mais precisamente através da atuação de seus agentes na serra, foi perfeito no que se propôs. Prometeram um evento com programação "x", participação de "y", servindo "w", para o público "z", e foi o que entregaram, sem tirar ou acrescentar uma vírgula sequer.

A grande lástima é que tamanha competência vista na execução do evento não tenha acontecido durante a sua elaboração. Se mantivesse o formato original, evitando palestrantes, caprichando mais na escolha dos parceiros e costurando o roteiro com mais coragem, o seminário teria sido sensacional. Poderiam facilmente ter aplicado o mesmo dinheiro e o mesmo suor para obter um resultado muito superior.

Se confrontados, os organizadores provavelmente dirão que a construção do seminário foi participativa e que os descontentes com a programação deveriam ter se manifestado antes, e não depois do evento.

Mas quem disse que essa opção estava disponível durante a elaboração? Desde o principio ficou claro que o conteúdo político teria primazia sobre o técnico, e que o governo não toleraria nenhuma discussão, por mais pertinente que fosse, que divergisse da agenda politica de seus caciques. Os organizadores habilmente rebolavam entre o que os ambientalistas exigiam, o que a comunidade ansiava, o que os empresários desejavam e o que as autoridades deixavam - com clara predominância dos interesses dos últimos sobre os primeiros. Quem tentou colaborar forçando para cima o nível das sugestões, no mais das vezes teve as propostas educadamente recusadas, algumas vezes soberbamente ignoradas e raras vezes duramente rechaçadas.

O principal parceiro do Inea, como há muito se fazia notar, mostrou a que veio: para nada. Um zero à esquerda, a equipe da UERJ instalada na vila de Visconde de Mauá não poderia ter sido mais inepta. Deixo claro que não me refiro às atenciosas jovens da casa vermelha, que cumpriram à risca o papel de pouco lustro e nenhuma relevância que lhes foi imposto. Refiro-me, sim, à coordenação das universitárias e à gestão do PBA e dos mais de três milhões de reais destinados a custear seus diversos programas de monitoramento. Discurso vacilante, retórica pobre, postura inadequada, total falta de carisma, escasso conhecimento de causa e respostas desconexas... Na apresentação do PBA , tudo gerou constrangimento, desconforto, suspeita e indignação .

Quanto a isso, um parêntese: as maiores proeminências politicas do seminário (em cujo processo influíram ativamente desde o princípio), Vicente Loureiro e Luiz Firmino, deixaram o evento logo depois da abertura, um de forma escorregadia e outro abruptamente. Que teriam pensado da vexatória apresentação da UERJ / PBA, se a tivessem assistido? Sabiam o que faziam quando elencaram tais quadros para protagonizar o monitoramento do PBA ? Tamanha inabilidade terá sido programada ou acidental? Ambas alternativas reprováveis, diga-se.

Primeiro dia

Se houve um mérito a destacar na primeira parte do seminário, foi o de desnudar o que há de pior na gestão da estrada, em seu pior momento. Mexeram e reviraram o conteúdo do evento, manobraram, manipularam e politicaram tanto, para quê? Tudo bem, o resultado prático do seminário foi fraco como parece que queriam. Só que as “autoridades” não apenas não brilharam, mas afundaram até a cintura no fiasco. Até mesmo o subsecretário da SEA, sempre carismático e convincente, vacilou em seu curto colóquio. O sub da SEOBRAS foi o oportunista costumeiro, mas com menos pompa e mais escorregões. Paulo "PG" Gustavo (da Seobras) brindou o público com lágrimas, lamúrias, confidências e desânimo, seguidos de euforia, esquecimentos e desabafos, numa preleção que será difícil de esquecer, embora sem nada que merecesse lembrança. Depois começou o show de horrores: IBAM, o terrível; DER, o tragicômico e UERJ / PBA , o catastrófico...

Em suma, o que a “mesa especial da Estrada-Parque” provou é que nunca se investiu tanto dinheiro, de uma só vez, num único lugar, envolvendo tantas esferas políticas, com finalidades tão equivocadas, métodos tão pouco ortodoxos e gestores tão incompetentes. Um formidável recorde que alçará a nossa “estrada-parque” às estratosferas dos anais da administração pública.
Mesa da Estrada-Parque: nota 2 pela qualidade; e nota 9 pelo fascínio do grotesco.

À tarde, as apresentações das prefeituras sobre os respectivos planos diretores não chegaram a deslanchar, mas ficaram longe de ser inúteis. Valeu pelos subsídios teóricos, para quem ainda não estava por dentro do assunto, com a ressalva de que a considerável maioria dos presentes não se enquadrava nesta situação...
Mesa das prefeituras: nota 6,5.

Segundo dia

O segundo dia, dedicado aos fóruns e plenárias, rendeu e muito. Os grupos estavam bastante antenados e motivados, os horários foram respeitados e não se registrou nenhum atrito ideológico grave. O resultado só não foi ótimo porque o trabalho foi todo baseado numa matriz muito chinfrim, mal estruturada a partir de levantamentos realizados pela PUC-RJ (dois anos atrás), e pelo Conselho Gestor (três meses atrás ). (O problema maior foi que a tabela originalmente proposta foi adulterada para incluir itens que dessem a impressão de que o INEA, a Seobras e a UERJ estão cuidando bem de nossos problemas - N.E.) Triste é constatar que a parceria com o meio acadêmico, promissora a priori, tem gerado resultados tão pífios para a região. A mediação dos grupos, feita por profissionais da área, também decepcionou um pouco. Apesar da empolgação dos mediadores, era nítido o seu descompasso de repertório em relação aos participantes dos grupos, o que comprometeu a eficiência da mediação. Porém  acertaram em manter a neutralidade em todos os momentos.
Grupos e plenárias: nota 8,5. Matriz: nota 3. Mediação: nota 6.

Se houve um aspecto no qual o seminário foi perfeito, impecável, acima da crítica, da média e de qualquer expectativa, foi o aspecto alimentar: a turma da APROVIM acertou nos ingredientes, nas receitas, no estilo, no timing , no serviço, nas quantidades, na decoração, na simpatia, na harmonia e até na gestão, pois a equipe trabalhou de forma participativa, descentralizada e não hierárquica. O trabalho da APROVIM tornou a jornada do seminário muito menos árdua para todos.
Nota 10, com louvores.

Inea

Este relato é permeado por colocações que muitos considerarão agressivas, sarcásticas ou irônicas. Ou que os comentários priorizam os desacertos do evento, em lugar de enaltecer os pontos favoráveis. Ora, a gravidade da conjuntura na região é mais do que preocupante. Em resposta, o governo decidiu investir em um seminário. Mas para isso preferiu bancar, tacitamente, os riscos de politizar o evento, em detrimento da discussão técnica que a ocasião exige. O papel da sociedade, neste momento, não pode ser o de servir como claque para os fantoches do governo. Acertar em tudo é a obrigação primordial da administração pública. E a obrigação da sociedade é apontar os erros e exigir competência máxima. Durante a maratona de palestras, uma pessoa sentada ao meu lado sentenciou: “Decidi nunca mais aplaudir um servidor do poder público que esteja fazendo o que foi pago para fazer”. De fato, eram patéticas as ovações tributadas às “autoridades” que nos ofereciam muito menos do que eram obrigadas a dar.

Mesmo assim é vital destacar neste relato os acertos do Inea. O Inea esteve o tempo todo à frente do processo de elaboração do seminário, mas na “ponta da corda”, uma posição nem sempre confortável, sujeita às arbitrariedades, desmandos, disputas e incoerências das instancias superiores e às complicadas peculiaridades da comunidade de Visconde de Mauá. Não tenho dúvidas quanto ao empenho da equipe do Inea em Mauá: fizeram o máximo que puderam dentro dos limites impostos pelo governo, pelas circunstâncias e pelo próprio conhecimento técnico de seus membros...

Acertaram, sobretudo, ao indicar a APROVIM para gerir todo o serviço de alimentação do evento. Ao mesmo tempo, o Inea valorizou a produção local e deu uma mostra do que os produtores da região são capazes de realizar. O sucesso da parceria veio provar que as relações comerciais sustentáveis no alto da serra não apenas são possíveis como bastante frutíferas e desejáveis.

Acertaram em insistir de maneira “brancaleônica” na realização do evento, a despeito das dificuldades, dos adiamentos e dos movimentos em contrário. Quando a realização do seminário parecia impossível, e contra todas as expectativas, conseguiram ressuscitá-lo e concluí-lo.

Acertaram, sem querer, em deixar que as autoridades viessem totalmente despreparadas, desamparadas até. Isso permitiu expô-las ao ridículo que todos puderam testemunhar: não conseguiram oferecer nenhuma resposta para nenhuma das questões colocadas (bem diferentemente do que a equipe do INEA nos prometia). E não conseguiram sair ilesos da situação, pois não puderam contar nem com a verve costumeira, nem com o apoio do meio empresarial local, que parece ter lhes tirado o suporte.

Avaliação geral do seminário: nota 5 pela qualidade, e nota 9 pela organização.


Plateia reunida cheia de expectativas para discutir os impactos da pavimentação do acesso à região

Mesa inicial, formada por autoridades estaduais e municipais. Não reparem no ar constrangido tão evidente


Luiz Firmino, subsecretário da SEA


Vicente Loureiro, subsecretário da Seobras


Paulo Fontanezzi, presidente da AMAR-ResendeDomingos


Baumgratz, secretário de Ambiente de Itatiaia

Paulo "PG" Gustavo, arquiteto da Seobras

André Pol, biólogo, apresenta o laudo do ICMBio apontando irregularidades negligenciadas pelo poder público

Osvaldo Caniato, empresário, presidente da Mauatur

Ricardinho, empresário, presidente da AmaMauá 

Zé Tavares, empresário e cineasta documentando o evento

Lauro Caldeira, empresário, diretor da Mauatur

George Sander, biólogo e artista (Gávea, Bocaina, MG)

Faixa com dizeres intrigantes afixadas por jovens ativistas locais

Cecile Moy e Julia Barros, ativistas e da equipe de alimentação

Alvaro Braga, historiador e liderança da Pró-Fundação Mantiqueira

Luis Felipe Cesar, comunicador, ex-secretário de Ambiente de Resende


Alfredo Carvalho, ex-secretário de Ambiente de Bocaina de Minas e Patrícia, produtora rural e ex-coordenadora do Conselho Gestor


Constantino Martins Jr., supervisor ambiental da UERJ, encarregado de implantar o PBA...


À esquerda, Marcelo Brito, engenheiro, e Cláudio Lopes, presidente da Assomar


Pólita Gonçalves, gerente de Educação Ambiental do INEA-RJ

Daniel de Brito, gestor de educação ambiental do INEA-RJ

Márcia Patrocínio, produtora cultural e arte-educadora, dá sua opinião sobre a apresentação do PBA pela UERJ


Bandeira da Aprovim

Júlia, Patrícia e Flávia, da Aprovim

Júlia, Flávia e Tânia, da Aprovim


Jornal "Folha da Serra" n. 183 / JUL/AGO/SET - 2011
Favor notar que o erro em "estrada  parque" vai se alastrando a partir da negligência da equipe de EA do INEA e da equipe da UERJ-Seobras