III Semana da APA da Mantiqueira
Centro Cultural Visconde de Mauá / 4, 5 e 6 de junho de 2012

Desenvolvimento sustentável em Visconde de Mauá


Mesa-redonda no dia 4 de junho de 2012
Everton Carvalho , engenheiro, presidente da Associação Brasileira de Integração e Desenvolvimento Sustentável – falará sobre projeto que a ABIDES está elaborando para a região de Visconde de Mauá, empregando os parâmetros propostos pela ONU ("Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade" - The Economics of Ecosystems and Biodiversity- TEEB ), que permitem valorar economicamente os “serviços ambientais” prestados pela região e orientam como traduzir esse patrimônio natural em programas e projetos de desenvolvimento em harmonia com a natureza. (25 minutos).

Everton nos mostrou seus cálculos para valorar a renda gerada pelos serviços ambientais da nossa região, segundo o modelo "A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade" (TEEB - The Economics of Environment and Biodiversity), desenvolvido pela Agência de Proteção Ambiental das Nações Unidas (UNEP - United Nations Environmental Protection). Por exemplo, a usina de Furnas no rio Grande vende energia gerada com a contribuição das águas que descem da nossa região. É só calcular esse porcentual das nossas águas no volume total usado na hidrelétrica para calcular a nossa porcentagem na renda auferida pela venda da energia. Esse cálculo, mostrando quanto Furnas fatura vendendo essa porcentagem de energia gerada com as águas que brotam nas microbacias de nossa região, deverá convencê-los que devem investir nela uma pequena parcela desse faturamento em projetos socioambientais que garantam a proteção dos mananciais e a perenização ou incremento de sua vazão.
Acesse aqui a apresentação do presidente da ABIDES e seus cálculos inspiradores.

Gilberto Mascarenhas , agrônomo da Divisão de Política, Produção e Desenvolvimento Agropecuário do Ministério da Agricultura, com pós-doutorado na França em Organização de Cadeias Produtivas Sustentáveis (circuitos curtos de comercialização, indicações geográficas, redes sociais, comércio justo e economia solidária), falará sobre o movimento da Gastronomia Sustentável de Paraty, que objetiva integrar os pequenos produtores locais com restaurantes e outras formas de circuitos curtos locais (restaurantes, hotéis, pousadas, escolas etc). (25 minutos).

Gilberto focou na importância de se estimular a produção local de alimentos para a prosperidade da população e para o desenvolvimento de uma culinária mais rica em ingredientes da região - que, além de melhorarem a dieta dos moradores, contribuem para valorizar as refeições oferecidas pelo setor turístico aos visitantes. Gilberto enfatizou a necessidade de identificar, organizar, estimular, apoiar e integrar os produtores com os consumidores (comerciais, familiares, escolas etc.), adiantando os possíveis desafios a serem vencidos para o sucesso da empreitada. Por fim, recomendou-nos a elaboração de um pré-projeto explorando as nossas possibilidades, a ser desenvolvido e apresentado às fontes de recursos para o desenvolvimento agroecológico de pequena escala.
Acesse aqui a apresentação do acadêmico-técnico do Ministério da Agricultura

Joaquim Moura, educomunicador, servidor aposentado do Banco Central, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP - United Nations Development Program) e da Caixa Econômica Federal, falará sobre a evolução da ideia de “desenvolvimento sustentável” (dos pontos de vista da economia e da ecologia), analisando como esse conceito ganhou duas interpretações antagônicas: “crescimento ilimitado ou evolução permanente ?” (15 minutos)

Joaquim lembrou que o conceito de "desenvolvimento sustentável" surgiu na década de 1970, como proposta de ecologistas em busca de uma prosperidade para todos que não agredisse o planeta. Depois, na década de 1990, os economistas convencionais passaram a usar a expressão no sentido oposto, de crescimento ilimitado do PIB, levando muitos ecologistas a repudiarem o conceito. Joaquim, porém, reafirma a ideia original, traduzindo-a por "evolução permanente" - mental, intelectual, espiritual e socioambiental. Reiterou a prioridade de se trabalhar nos "três eixos fundamentais da educação ambiental": (1) desenvolvimento da juventude ; (2) gestão ecológica dos resíduos (com ênfase nos orgânicos); e (3) edu/comunicação comunitária para divulgar informações básicas e estimular o pensamento crítico ), mas garantiu que, antes da educação ambiental e de tudo mais, precisa vir a educação ética nas escolas municipais e no colégio estadual, com reflexos positivos e imediatos para toda a comunidade.

Palestras no dia 5 de junho de 2012 - a partir de 13h
Norma Bühler, empresária ambientalista, implementou o programa "Lixo Mínimo" no Hotel Bühler, em Maringá (Minas Gerais), onde praticamente todos os resíduos gerados na intensa atividade de receber centenas de hóspedes por mês são reciclados localmente ou encaminhados para cooperativas de recicladores. O programa "Lixo Mínimo" já se tornou referência nacional, objeto de inúmeras reportagens na mídia, premiações, um livro etc.
Norma exibiu as últimas evoluções do sistema que implantou no Hotel de sua família, onde se destacam a reciclagem total dos resíduos orgânicos de sua cozinha e restaurante, onde todos os restos, inclusive cárneos e lácteos, são perfeitamente reciclados em adubo, nos "decomposteiros" projetados pelo Prof. Luiz Toledo. O sistema "Lixo Mínimo" encontra destinação sustentável para praticamente tudo.
Acesse aqui a apresentação da criadora/implementadora do Lixo Mínimo na hotelaria nacional
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Lino Matheus, ambientalista militante na serra da Mantiqueira desde os anos 1970s, participou de várias iniciativas históricas, como a que resultou na criação da primeira APA federal do Brasil: a nossa! Atualmente está dedicado à criação da Fundação Mantiqueira, para a qual já doou significativa parcela da Fazenda Boa Vista, no Vale das Flores, Bocaina de Minas, região de Visconde de Mauá, onde a natureza tem sido preservada e exaltada por ele há mais de 30 anos.
Lino apresentou, a uma audiência composta principalmente pelos jovens estudantes que integram o projeto "Peer Leader", do Colégio Estadual Antônio Quirino, um breve histórico da época em que o setor turístico ainda não havia se dedicado a "vender" tanto a região, que era então um ponto de encontro de jovens alternativos e idealistas, que ainda acreditavam que seria fácil alertar a sociedade e autoridades sobre a insustentabilidade do modelo "econômico" adotado. Ficou clara a diferença entre os jovens da década de 1970, tão interessados e ativos, e os de hoje, perdidos e alienados nas páginas do Facebook. A apresentação talvez dê início a um aprofundamento das reflexões juvenis, e ao envolvimento dos jovens nas questões que plasmarão o seu futuro. No final, foi distribuída a Carta da Mantiqueira, que será divulgada na Conferência Rio+20.
Acesse aqui mais detalhes da apresentação do patrono da futura Fundação Mantiqueira