Curso de Formação de Voluntários em Defesa Civil

como foi, e o que tiramos de proveito - Parte 1

 

Após algumas dificuldades logísticas para a organização desse curso, ele finalmente ocorreu na terceira semana de dezembro. Em Maringá-RJ e Maromba as aulas teóricas ocorreram no período entre os dias 12-14, na Escola da Maromba, e a aula prática, ocorreu no domingo, dia 18.

O que foi esse evento? A descrição dele pode ser feita através da seguinte frase retirada de um dos slides de apresentação do curso: "Preparar instituições e comunitários para a prevenção, mitigação e enfrentamento de desastres naturais decorrentes de eventos climáticos extremos" e agravados pelas intervenções humanas no meio-ambiente.

A comunidade, em geral, apesar da adesão meio baixa, ficou agradecida ao esforço, boa vontade e empenho demonstrados pelos palestrantes e organizadores do evento. Os registros feitos aqui baseiam-se nos cursos ministrados na Escola da Maromba.

O primeiro dia do curso foi apresentado pelo Tenente Coronel Pires Ferreira. Sua apresentação intitulada "Desastres Naturais - Prevenção e Mitigação" começou com uma explicação do que é a Defesa Cívil no Brasil e qual o seu principal objetivo: a redução de desastres.

Como alcançar esse objetivo? Através de quatro ações básicas: prevenção de desastres; preparação para emergências e desastres; resposta aos desastres e a tarefa de reconstrução. Cada uma dessas ações foi cuidadosamente explicada e descrita através de definições, exemplos e imagens.

O Tenente Coronel Pires mostrou-se bem humorado, simpático e solícito durante todo o seu convívio com a turma no período de treinamento. Importante mensagem transmitida pelo Cel. Pires a seus aspirantes a voluntários da defesa civil A turma de aspirantes agüentou bem, e com interesse a maratona de quase quatro horas de ensinamentos.

Como não poderia deixar de ser, pelas próprias condições em que vivemos nessa região, aonde temos um população tecnicamente despreparada e com conceitos éticos pra lá de duvidosos, poucos dias após esse curso tivemos condições de verificar dois acidentes que, TALVEZ,  possam ser explicados na prática, com os conhecimentos obtidos no curso.

CASO 1: 

Local do acidente: Maringá (RJ), na ladeira da Pousada Cantinho da Paz

O terreno sob um muro de contenção feito de concreto (nesse caso o muro está encoberto pela lona de plástico preta) cedeu e, por sorte, o muro, ao invés de se despedaçar e cair por sobre a casa abaixo, tombou lentamente, até quase encostar por sobre o telhado da casa. Alguns moradores do local afirmam que escutavam os estalos da estrutura cedendo aos poucos durante a noite.

Observar que as casas acima do muro não possuem canaletas de água de chuva para direcionar essas águas para algum escoadouro pluvial. De modo que toda a chuva ficava retida no solo atrás e por sob o muro, saturando o solo com sua umidade.

Outro possível fator agravante para os conhecedores do local: do outro lado da casa para a esquerda da foto (dá para enxergar um telhado parcial ) existe um pequeno curso de água. Essa casa vem passando por obras, já há algum tempo, e esse curso pode ter sido desviado de alguma forma, acidental ou propositadamente, para a direção do muro de contenção, encharcando mais ainda o seu solo.

SOLUÇÃO: Implantação de calhas e de um sistema de drenagem de águas pluviais no terreno acima do muro, alem de verficar e, se for o caso, corrigir o curso de água da nascente.  

 

CASO 2:

Local do acidente: Maringá (MG), na descida que leva à Piscina Natural

O barranco e o muro na lateral da propriedade cederam. Na base do muro, existia uma vala de água pluvial que levava toda a água da descida para um escoadouro no final da rua e dali, provavelmente desembocava no Rio Preto.

Podemos observar logo que, assim como no caso anterior, não há indícios de existir um sistema de canaletas e drenagem de águas da chuva que caiam do telhado da casa; o que pode ter contribuído para o encharcamento do solo sob o muro da casa.

Outro problema que provavelmente ocorreu, pois já é de conhecimento dos moradores da localidade, é o grande volume de água que desce pela vala na beira da estrada. O volume e a velocidade da água provavelmente somados ao terreno já encharcado pela ausência do sistema de canaletas e drenagem de águas da chuva, já citados, enfraqueceram o barranco, provocando o seu desmoronamento.

Notem que uma beirada da casa está em suspenso, o que pode provocar rachaduras em sua estrutura, correndo assim risco de desabamento. A casa foi evacuada pelos moradores.

SOLUÇÃO: Mesma do caso anterior, acrescida da execução de um projeto mais eficiente de arruamento, vielas, servidões e outras vias atuando como um sistema integrado de drenagem de águas da chuva.

 

O caso 2 (dois) ainda teve um agravante. Como a propriedade está situada na margem mineira do Rio Preto, a defesa civil dos municípios de Resende e Itatiaia informaram que não podiam prestar auxílio. Enquanto que a defesa civil de Bocaína de Minas, passados quatro dias do acidente, ainda não havia sequer visitado o local, apesar dos insistentes pedidos de auxílio dos proprietários e moradores do terreno atingido.

 

Seguem, logo abaixo, os slides apresentados pelo Coronel Pires, que servem de base para o estudo apresentado em ambos os casos:

 

 

 

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