DER-RJ Chega e Assume Controle da Situação na RJ-151, KM-6 do Trecho Mauá - Maringá 

 

O Amigos de Mauá ouviu de fonte confiável que teria partido do gabinete do prefeito de Itatiaia, Sr. Luis Carlos "Ypê", o telefonema original para o Sr. José Roberto Rosadas, do DER-RJ em Barra Mansa, pedindo que fosse dada assistência ao km 6 do trecho Mauá-Maringá da RJ-151. O pedido, realizado na sexta-feira, dia 27/01, resultou em serviço de vistoria, realizado no sábado, dia 28/01, que por sua vez determinou uma operação de reparo da estrada, iniciada na manhã de segunda-feira, dia 30/01.

Nota-se bem a verdadeira caverna que estava se formando sob a RJ-151 ameaçando a segurança de seus usuários. No dia seguinte, com a chegada do DER-RJ, a paisagem vista acima sofrerá claras mudanças. O buraco sob a estrada será aterrado, a manilha de água será reparada e esticada em vários metros e a árvore do outro lado da estrada será derrubada.

Com certeza o desfecho final dessa situação não vai agradar a todos. Haverá aqueles que, com razão, se queixarão da quantidade de tempo que levou, até que alguém resolvesse tomar uma providência; afinal o Blog da ASSOMAR já havia chamado a atenção para o problema em 29/12. Assim como existirão aqueles que vão reclamar que o DER-RJ ultrapassou os limites do que poderia se chamar uma operação de manutenção e acabaram alargando, sem autorização, um trecho da estrada.

Este texto tem a pretensão de tentar levar essa discussão um pouco mais além e mostrar algumas das razões que nos levaram ao ponto em que chegamos. Através de bate-papo com pessoas ligadas à prefeitura de Itatiaia e funcionários do DER-RJ, é possível compreender um pouco melhor do caminho já tomado e termos uma idéia de alguns problemas que estão por vir.

Na segunda-feira, dia 30, chegava equipe do DER-RJ, com maquinário e material (escória e manilhas) para dar início à operação de reparo e alargamento da estrada. Equipe do DER-RJ realizando o serviço de manutenção do trecho reclamado. O Vídeo mostra um instante quando eles interrompem o seu serviço para permitir a passagem de um carro e, quando retornam, o chefe da equipe orienta o operador da máquina para que abra um caminho de modo a liberar o volume de água retido dentro do buraco.

 

 

Como será que, em tão pouco espaço de tempo, formou-se um buraco tão grande sob a RJ-151?

 

Pesquisando junto a pessoas que trabalham há longo tempo com a manutenção da estrada, descobrimos que é prática comum entre os proprietários de terrenos à beira da rodovia, quando encontram uma manilha de drenagem de água em seu terreno, fecharem a boca da manilha, inutilizando-a, sem solicitação ou aviso ao município e/ou estado.  A razão para esse comportamento é sempre o mesmo; o proprietário sente-se no direito de usufruir e construir em seu terreno. Esse instinto é tão forte que ele sequer se indaga sobre os motivos de haver aquela manilha jogando água em seu terreno.

 

O escoamento de água de córregos ou chuvas por meio dessas manilhas é de fundamental importância na manutenção de nossas rodovias. A água precisa desses caminhos para poder escoar sem provocar danos à superfície da estrada. Quando o caminho das águas é interrompido, ela sempre encontra uma rota alternativa que, se não for bem planejada, pode resultar em danos do tipo queda de ribanceiras e outros processos erosivos.

 

Ao final da segunda-feira, a manilha quebrada foi consertada e emendada desabocando no fundo deste encostamento, e o buraco foi tapado remediando assim o perigo imediato na rodovia. Na terça-feira foi jogado e espalhado escória por sobre todo aquele trecho da rodovia. Observem como a lateral da encosta junto com a marca do paveamento mostram claramente como a estrada foi alargada já deixando-a preparada para o serviço de pavimentação com asfalto.

 

Um exemplo típico dos transtornos criados por essa prática é justamente essa cratera que surgiu sob a estrada ameaçando a segurança dos seus usuários. Descobrimos que a alguns anos atrás, um proprietário de um dos terrenos vicinais à estrada tampou uma manilha de escoamento da água em seu terreno e construiu uma residência no local. A estrada começou a mostrar sinais de deterioração provocados pelo fluxo de água, o solo ficou saturado, começaram a surgir buracos na superfície da estrada. Eventualmente, uma equipe de manutenção detectou o problema e os então responsáveis pela região, que normalmente são todos apontamentos político-eleitoreiros (os conhecidos "cargos de confiança") optaram pela solução política de não desagradar o proprietário do terreno e improvisar o desvio da água para um outro ponto da estrada com manilha.

 

Não houve preocupação com cálculos para verificar se a nova manilha comportaria o maior volume de água desviado para ela, e nem para determinar o maior desgaste e deterioração que ocorreria nesse novo ponto. Afinal de contas, imaginou o administrador regional daqueles tempos, "quando o problema ocorrer, eu já não serei mais o responsável e isso se tornará problema de outra pessoa". É o jeitinho brasileiro de não desagradar a ninguém e empurrar o problema para frente, quando será de alguma outra pessoa e/ou governo.

 

E não é só isso não. Observem na foto que mostra o trecho todo da estrada, como permitiram também que os proprietários erguessem muros na beira da estrada, sequer deixando espaço para um acostamento, ou calçamento de pedestres. Os moradores mais antigos da região lembram que antes daqueles muros serem erguidos, tinha-se uma vista cinematográfica do Rio Preto no local. O proprietário de então se viu no direito de reservar aquele cenário só para si. E mais uma vez os administradores locais, que provavelmente trafegavam de carro por ali, pelo menos três vezes por semana, preferiram não incomodar o possível futuro eleitor.

 

Além de obstruirem a canalização da água que necessita ser despejada para a segurança da estrada, os proprietários de terrenos vicinais à estrada erguem muros na beira da estrada, roubando do transeunte a oportunidade de vislumbre de magnífico cenário, contrariando leis de segurança de estrada, e tomando valioso espaço para calçamento de pedestres e ciclovia, sempre contando com a silenciosa cooperação dos administradores locais politicamente nomeados. Ao mesmo tempo que alarga-se a estrada, obtem-se o material necessário para aterro do trecho que ameaçava desabar. A declividade da encosta deixada, é garantia de que logo haverá novos desbarran-camentos e, serão necessários novos reparos.

 

Hoje, para poder acomodar com segurança o novo fluxo de veículos motorizados  esperados pela indústria turística da região, o DER alega, com razões técnicas, que precisa alargar a estrada. Mas aí quem paga o pato é a mãe natureza e não o administrador de então que não cumpriu o seu papel por acomodação, não o proprietário do terreno que só pensou em si e não se importou com o restante da comunidade, e não o governo municipal/estadual de então, que não precisou desagradar possíveis eleitores.

 

Conversando com funcionários do DER no local ainda foi possível observar o comportamento desconfiado de quem teme uma injustiça contra si; afinal eles sabem que para consertar os erros do passado e seguir a política atual do DER - de aproveitar o serviço para já deixar o caminho preparado para a futura pavimentação da RJ-151 - precisaram retirar pelo menos duas árvores do local e escavar novos taludes verticais (que com certeza resultarão em novos desabamentos) para alargar a estrada, o que resultará em críticas de uma parcela da comunidade.

 

No caso deste trecho em específico, quem mais lucrou foi o proprietário de um terreno vizinho ao posto de gasolina que viu no alargamento da estrada a possibilidade de ganhar uma área para estacionamento de seu estabelecimento e ergueu um muro de contenção paralelo à estrada, onde ficará esse estacionamento, e viu a sua área de estacionamento surgir a partir da necessidade do DER de encontrar um local para despejo da terra escavada da encosta do terreno marginal à estrada.

 

O proprietário desse terreno, que comporta um estabelecimento comercial, já tinha feito um muro de contenção pensando em criar uma área de estacionamento e acabou recebendo uma ajudinha na forma de aterro. Ao contrário de seus vizinhos, notem que esse muro de contenção foi feito para dentro do terreno do proprietário, sem limitar o espaço da estrada. O trecho da estrada que estava sob perigo após os consertos realizados. Observem a ausência de árvores próximo a entrada da manilha na beira da estrada. A manilha recebe água de uma passagem de água terreno acima e de uma vala no leito da estrada.

 

O responsável pela equipe do DER ainda alertou para mais um futuro problema a ser enfrentado por muitas pessoas com imóveis marginais à estrada. A tubulação de água potável para muitos desses imóveis passa por sob a estrada, mas encontra-se muito próxima à superfície. Quando as máquinas passarem por sobre a estrada, para prepará-la para seu futuro pavimento, esses canos fatalmente serão rompidos e terão que ser reparados ou trocados.

 

Além disso, pelo menos 39 postes de fios elétricos precisarão ser removidos para outros locais.

 

É preciso a comunidade ser adequadamente informada para que se prepare para o que vem por aí.