Alargamento exagerado desfigura a chegada à região, assoreia o Rio Marimbondo e dá origem a laudo acusatório do ICMBio


Ninguém imaginava que o projeto da obra de pavimentação da estrada RJ-163, ligando a Capelinha a Visconde de Mauá, incluísse tanto alargamento e exigisse toda essa intervenção desastrosa na encosta acima da pista e na vertente abaixo, rumo ao Rio Marimbondo, bem ali na chegada à vila que dá nome à região.

A vegetação luxuriante, com árvores cujos ramos cobriam a estrada (o verdadeiro pórtico da região), foi simplesmente suprimida, e a mata afastada vários metros, resultando em um cenário desolador que levará décadas para se recompor.

Vejam abaixo algumas fotos do impacto na APP do Rio Marimbondo, onde não foram observados os cuidados básicos para impedir que a terra movimentada descesse e soterrasse a vegetação, assoreando o Rio Marimbondo e resultando no laudo do ICMBio que recomenda ir-se além da multa milionária já aplicada para ver se o executor segue o projeto aprovado e licenciado.


Acima e abaixo, pequenos exemplos do enorme volume de terra despejado sobre o Rio Marimbondo ao longo das últimas centenas de metros, bem na chegada à vila de Visconde de Mauá.
O assoreamento de um curso d'água é um processo difícil de reverter uma vez instaladas as condições que o provocaram.

 


Abaixo, a obra da estrada com o quilômetro mais caro que já se viu tem um sistema para conter a descida dos sedimentos rumo ao Rio Marimbondo todo feito de bambu.
Desnecessário dizer que o sistema é ineficiente diante de tal volume de terra e das chuvas abundantes da região.


A foto abaixo mostra como interferir indevidamente em uma APP, movimentando a terra revolvida no preparo da cortina de concreto ao longo da estrada em direção ao rio.

 


Além de assorear o rio, tanta terra acumulada junto ao tronco das árvores, logo acima das raizes, é fatal para muitas espécies.

Mesmo as árvores que sobreviveram ao desmatamento para o preparo da cortina de concreto correm o risco de morrerem asfixiadas pela terra sobre suas raizes.


Outro impacto do desmatamento na chegada à vila de Visconde de Mauá foi revelar cercas, casas e merchandising onde ninguém supunha...

Fotos de André Pol
Assista o vídeo de Rui Takeguma mostrando os últimos 500 metros da chegada à Visconde de Mauá, podendo-se ver a destruição da mata à esquerda, na APP do Rio Marimbondo; onde antes havia uma cortina de vegetação luxuriante, temos hoje um cenário esgarçado, empobrecido botânica e visualmente. O vídeo é de 30 de junho, de lá para cá piorou bastante. http://www.youtube.com/watch?v=MPhzNjTsE9w