Vila de Maringá, 21 de setembro de 2012    

Um Retrospecto da ASSOMAR Segundo a Percepção de um de seus Colaboradores - Parte VI

Texto de Marcelo Brito   

 

Dando sequência ao conjunto de textos nos quais venho detalhando a minha percepção e opinião pessoal, dos acontecimentos ocorridos dentro da ASSOMAR, gostaria de reiniciar os meus relatos com uma nova informação.

 

Por uma questão de lealdade e respeito, fiz questão de compartilhar os cinco primeiros textos que publiquei com o presidente da ASSOMAR, Cláudio Lopes, antes de torná-los públicos. Inclusive aceitando sugestões de mudanças e acréscimos do próprio. A partir desse sexto texto, voltei atrás em minha decisão anterior.

 

Conceitos como amizade, respeito e lealdade são como uma avenida de mão dupla, é um leva e traz, é uma troca. Ocorreram uma seqüência de acontecimentos que considerei covardes e desleais, e que, portanto, me fizeram rever minha posição anterior.

 

De maneira que, os textos por vir, serão realmente inéditos para todos que não componham a equipe editorial do Amigos de Mauá.

 

   A entrada e participação da ASSOMAR no Conselho Gestor

 

Com base nas minhas observações, quando entrei para a ASSOMAR, já entrei com a intenção de, no mínimo aproximá-la do Conselho Gestor. Presenciei e ouvi todo tipo de preconceito que havia contra aquele fórum, mas não vejo como um grupo de pessoas racionais pode tomar resoluções abalizadas sem estudar o caso por todos os seus lados e argumentos e tendo somente como base rumores e alegações.

 

No dia em que a ASSOMAR votou por entrar no Conselho Gestor, eu afirmei perante a todos na assembléia que a nossa entrada não significava a nossa concordância com todos os valores, opiniões ou decisões ali formados. Mas que o Conselho Gestor nos serviria como uma oportunidade de escutar argumentos novos, possivelmente aprender coisas novas, nos dar uma independência de raciocínio e proporcionar a oportunidade de fazermos novos contatos.

 

 

O Conselho Gestor é perfeito? Não. Longe disso. O Conselho Gestor, da forma que se encontra, não terá vida longa. Mas o Conselho Gestor é uma ferramenta de gestão muito importante dentro da região, e será assunto de outro conjunto de textos que pretendo escrever após terminar essa série sobre a ASSOMAR.

 

O assunto da entrada da ASSOMAR no Conselho Gestor, ao contrário do que foi afirmado mais tarde pelo atual presidente da ASSOMAR, Claudio Lopes (que mentiu de maneira covarde, afirmando que foi tudo decidido de supetão em uma única reunião), foi levantado em pelo menos três reuniões.

 

Primeiro, houve um informe de que a associação seria convidada para compor o Conselho; depois, em uma segunda reunião, houve outro informe de que não teríamos recebido o convite oficial apesar de sabermos que ele havia sido emitido; e, numa terceira reunião, apresentou-se o texto muito mal elaborado do “convite” assinado pelo coordenador do CG, Paulo Fontanezzi.

 

 

 

Ocorreu então, inclusive, a manifestação do interesse de um outro diretor da ASSOMAR, (Carlos Roberto Barbosa - o Carlinhos da Maromba, ainda hoje com cargo de direção) em ser o representante da ASSOMAR junto àquele Conselho.

 

A minha nomeação para o Conselho foi sugerida pelo então diretor Daniel de Brito e apoiada pelo atual presidente Claudio Lopes. Ainda na mesma noite de minha nomeação, solicitei que fosse escolhido um suplente, por não ter certeza de que teria condições de assumir o compromisso de todo um mandato.

 

Sempre procurei fazer um jogo limpo e aberto, prestei contas de todas as reuniões pessoalmente ao então vice-presidente Cláudio Lopes, ofereci cópia das gravações que fiz das reuniões e publiquei relatos longos e completos de todas as reuniões de que participei, divulgando-os em "amigosdemaua.net" e no Facebook.

 

No período em que estive como conselheiro não houve nenhuma votação a respeito de qualquer tomada de postura do Conselho. Ao que me recorde, houve somente um veto a um laudo técnico apresentado pela Agência do Meio Ambiente de Resende (AMAR)  sobre as obras na RJ-151, pois seu texto estava inconsistente demais, e após sua leitura ele foi vetado todos - inclusive pelo coordenador do Conselho - o próprio presidente da AMAR.

 

Dentro do Conselho Gestor fui nomeado para coordenar uma Câmara Técnica que deveria analisar o trabalho apresentado nos relatórios publicados pela equipe do Plano Básico Ambiental - PBA da Estrada-Parque contratada pela SEOBRAS junto à UERJ; enquanto também colaborava, de forma voluntária, junto à secretaria do CG, principalmente no registro das atas das reuniões.

 

Em minha última reunião como conselheiro, no dia 11 de abril de 2012, o Conselho possuía registradas, 21 questões pendentes, sem resolução. Uma dessas questões era a respeito de uma carta de apoio do CG ao Ministério Público Estadual em sua Ação Civil Pública contra o DER e o INEA na obra da Estrada-Parque. A maioria dos conselheiros havia concluído que o CG deveria se manifestar em um assunto tão importante para o futuro da região, apoiando o MP em seu esforço para adequar a obra à legislação.

 

O envio dessa carta havia sido votado e aprovado, originariamente, antes da entrada da ASSOMAR no Conselho, e, nessa última reunião, foi solicitado um novo voto a respeito da questão, por conta da postura do seu coordenador, que passara meses sem assinar o documento, pois seu conteúdo, expressando a posição da maioria dos conselheiros, divergia da posição oficial do governo municipal de Resende e da AMAR.

 

Dicussão de trabaho entre Joaquim Moura, Luis Armondi e Daniel de Brito, na reunião do Conselho Gestor. Mesa dos presentes na reunião do Conselho Gestor, presidida pela vice coordenadora Patrícia Carvalho.

 

Essa votação não constava da pauta da reunião, portanto não havia como eu consultar o posicionamento da ASSOMAR para poder votar de acordo. Expliquei ao Conselho que por esse motivo a ASSOMAR não poderia votar na questão, e me abstive de votar.

 

Ainda naquela última reunião, apresentei o Caderno de Encaminhamentos da ASSOMAR ao Conselho, e comuniquei aos demais conselheiros que, com a eleição de uma nova diretoria daquela Associação, não sabia dizer se eu permaneceria como conselheiro e nem se a ASSOMAR permaneceria no conselho.

 

Disse-lhes que, na minha opinião pessoal, a ASSOMAR havia sido infiltrada por representantes de outras associações (MAUATUR e AMAMAUÁ) que têm forte preconceito contra o Conselho, e que havia uma forte chance da ASSOMAR se retirar daquele fórum. Naquela mesma noite, de 11 de abril, haveria uma reunião da ASSOMAR. Afirmei também que, qualquer que fosse a decisão da ASSOMAR, eu tinha toda a intenção de permanecer junto ao Conselho Gestor na qualidade de colaborador.

 

Desde o momento do anúncio da entrada da ASSOMAR no Conselho Gestor, até o dia de sua saída, houve insistente pressão por parte das associações comerciais (principalmente da empresária proprietária da Fazenda do Mel), além de intrigas e mentiras por parte de associados da AMAMAUÁ (o vice presidente Ronivon Paiva chegou a espalhar pela vila de Maringá o boato de que a ASSOMAR, através de mim, estaria tentando fechar o Clube de Mauá) e outros moradores locais contratados para a equipe da UERJ, encarregada de fazer o acompanhamento do Plano Básico Ambiental (PBA) da estrada-parque.

 

    A Saída da ASSOMAR do Conselho Gestor

 

Na pauta de reunião da ASSOMAR não constava qualquer menção ao Conselho Gestor, mas eu já pressentia a má intenção principalmente vinda do novo vice-presidente (com quem eu tinha um contato bastante informal) e do ex-vice da MAUATUR (com quem, ao que me recorde, jamais mantive contato algum).

 

Na chegada ao Restaurante Dom Corleone, local da reunião, já estava claro o que tinha sido planejado. Pessoas que nunca participavam de reuniões (e que logo desapareceram de novo) foram convocadas para comparecer e fazer claque, barulho e confusão, inviabilizando o debate.

 

O vice-presidente da ASSOMAR, proprietário da cerveja Serra Gelada, me acusou diretamente de ocultar informações a respeito de reuniões do Conselho (importante afirmar que o presidente Cláudio Lopes em nenhum momento intercedeu em meu favor ou citou os fatos que conhecia) e pediu a votação imediata de desligamento do Conselho Gestor usando os dois argumentos simplistas, batidos, preconceituosos e mentirosos de que (1) a ASSOMAR não podia ser conivente com um grupo de pessoas que eram contra a obra e, portanto, contra o desenvolvimento da região; e (2) que a nossa permanência no Conselho geraria um mal estar com as demais associações que não faziam parte do conselho (do qual aliás, haviam se retirado por meio de negociação com o próprio governo estadual, que tinha como finalidade o enfraquecer e dificultar sua tarefa de monitorar a execução da obra, conforme estabelecido não só na Licença de Instalação emitida pelo INEA, como também pelo próprio estatuto do Conselho).

 

Ao me dar a palavra para a defesa, o vice ainda tentou limitar o tempo de resposta em três minutos. A assembléia optou por me dar cinco minutos, e mais tarde o presidente Cláudio Lopes me afirmou privadamente que eu tive na verdade sete minutos, mas por conta do número de interrupções e comentários simultâneos da claque presente. 

 

O associado Daniel de Brito também teve direito a falar, mas foi sob o mesmo clima de circo e desrespeito.

 

O Sr. Ary Zonis dividia o seu tempo entre sussurrar comentários no ouvido no Carlinhos da Maromba, que imediatamente pulava e aos gritos interrompia os discursos; e ficar atrás de um biombo transparente fazendo ligações de seu celular.

 

Parte dos diretores da ASSOMAR ouvindo alguma argumentação do Daniel de Brito (só dá para ver o notebook.)

Observem o biombo vazado atrás dos membros sentados, de onde o Sr. Ary Zonis, passava informes pelo celular.

 

O vice presidente Júlio César ficava a todo instante interrompendo, perguntando quanto tempo faltava de réplica. A claque ao seu redor garantia o clima circense.

 

Ao fim do “debate”, o Sr. Ary Zonis foi de novo para trás do biombo dar um telefonema, e imediatamente apareceram mais 4 pessoas correndo escada acima para participar da votação (inclusive uma empresária local, proprietária de restaurante e associada da MAUATUR). Parecia brincadeira de crianças.

 

A votação foi esmagadora. Ao final do voto, que também encerrou a reunião, dirigi-me pessoalmente ao vice da ASSOMAR e disse-lhe que além de mentiroso, ele jogava baixo. Ele retrucou que teria ouvido, naquele mesmo dia, uma gravação na qual fiz comentários negativos à pessoa dele. Com relação a essa gravação acredito que ele só poderia estar se referindo à gravação da reunião do Conselho Gestor (a equipe da UERJ ligada ao PBA, participa e grava as reuniões do CG), ou então alguma conversa particular que eu tenha tido com alguma outra pessoa, que foi gravada sem o meu consentimento, ou anuência.

 

De minha parte, afirmo que o vice da ASSOMAR nunca me deu motivo algum para simpatizar com ele, e que portanto não simpatizo e nem tenho uma boa opinião a respeito do caráter, ou da pessoa dele.

 

Depois dessa rápida troca de comentários, nos afastamos e vi o Sr. Ary Zonis abraçando o vice-presidente Julio Cesar e prometendo-lhe apoio no que fosse preciso na ASSOMAR. Na confusão da comemoração, ainda fui procurado por um atual diretor da ASSOMAR e outros dois moradores ainda com dúvidas ainda sobre o assunto já votado.

 

O semblante tenso do vice-presidente da ASSOMAR, que passou parte da reunião atrapalhando o comentários dos outros, e a outra parte reclamando da pressão que estava sentindo. A estratégia para as próximas reuniões foi testada com sucesso: não incluir itens na pauta das reuniões, enviar o mínimo de convites por correio eletrônico e garantir por meio de convites ao telefone a presença da maioria dos votos "amigos".

 

Após a reunião, saí para fazer um lanche com o presidente Cláudio Lopes e fui bastante franco com ele. Disse que eu não via mais clima para continuar na ASSOMAR, disse-lhe que, pelo que tinha presenciado na reunião, todos os assuntos nos quais eu tentasse me envolver resultariam em uma guerra com o vice-presidente e com o infiltrado da MAUATUR; e que eu não estava disposto a ficar ali brigando sozinho pelas coisas que considerava certas e contra as calúnias e mentiras que tinha ouvido.

 

Disse que poderia parar de me dedicar aos assuntos comunitários e começar a tratar mais da minha vida pessoal e profissional. O presidente Cláudio Lopes, pediu para que eu não me afastasse da associação, e afirmou que conversaria com o vice-presidente para criar alguma espécie de código de convivência que permitisse que todos trabalhássemos juntos.

 

Até hoje não sei ao certo quando foi redigido o ofício de desligamento, se naquela madrugada após o meu lanche com o Cláudio Lopes, ou se antes mesmo da reunião. Mas o fato é que na manhã seguinte, logo cedo, o documento já estava sendo entregue na AMAR pelo vice presidente Julio Cesar.

 

<- Parte V - Entrega do Caderno e Reviravoltas na ASSOMAR                                                   Parte VII - PEPS e Conselho do Parque Nacional ->