Vila de Maringá, 17 de agosto de 2012     

 

Um Retrospecto da ASSOMAR Segundo a Percepção de um de seus Colaboradores - Parte V

 

 

Texto de Marcelo Brito    

 

 

 

O secretário de planejamento de Itatiaia, Rui Saldanha, pareceu, por meio de suas atitudes, antever o futuro que estava por vir.

 

Ao tomar ciência de que haveria uma nova diretoria na ASSOMAR, ele pediu que, para a reunião com os representantes do estado, os representantes da ASSOMAR apresentassem um ofício, assinado pela nova diretoria, oficializando que esses representantes estariam participando das discussões em nome da associação de moradores.

 

Outra providência que ele tomou, que achei muito inteligente, embora no fim não tenha dado certo, foi que ele esperou até a véspera da data marcada para a reunião com o estado para, então, fazer o convite para a MAUATUR. Até o local da reunião, a Pousada Olho D’Água, em Maringá, ele conseguiu arranjar, sem informar ao proprietário (Sr. Luis Alves, associado da MAUATUR) sobre o assunto a ser tratado na reunião, e nem quem compareceria a ela.

 

Na noite anterior à reunião, conversei ao telefone com o secretário. Confirmei o número de cópias do documento que deveria levar, confirmei que a ASSOMAR já tinha preparado o ofício solicitado com o nome de seus representantes, e ele afirmou que os Srs. Vicente Loureiro (SEOBRAS) e José Roberto (DER-RJ) haviam confirmado suas presenças na reunião, conforme acertado anteriormente com o vice-governador Pezão.

 

Aí, o que acontece? A MAUATUR é convidada, literalmente, de véspera (eu confirmei com o Sr. Julio Buschinelli do Restaurante Rosmarinus, na tarde anterior, e ele ainda não havia tomado conhecimento de nada) e tudo começa a desandar.

 

No dia da reunião, ao invés dos Srs. Vicente Loureiro e José Roberto, aparece a Sra. Carmen Lúcia Petraglia informando que surgiu um imprevisto de última hora com o Sr. Vicente Loureiro.

 

Sem desmerecer a coordenadora de obras da SEOBRAS, a diferença é brutal. Ela afirma não ter respostas para a maioria das indagações importantes e que terá que realizar consultas. O Vicente Loureiro, segundo o vice-governador, tem o poder de tomar decisões.

 

 

A esquerda, de pernas cruzadas, o Sr. Julio Buschinelli da MAUATUR; seguindo para a direita, os secretários de Itatiaia, Rui Saldanha, Nilson Neves e Roberta Oliveira

Vista de todos os presentes à reunião entre representantes da ASSOMAR, prefeitura de Itatiaia, governo do estado e MAUATUR no salão da Pousada Olho D'Água.

 

 

Pela prefeitura de Itatiaia compareceram os secretários de Planejamento (Rui Saldanha), Ordem Pública (Nilson Neves) e Turismo (Roberta Oliveira).

 

Pela MAUATUR estavam presentes os Srs. Osvaldo Caniato (presidente), Derek Sharp, Julio Buschinelli e Luis Alves.

 

O Caderno de Encaminhamentos foi entregue à Sra. Carmen Lúcia, que não teve respostas para nada e só afirmou que os pedidos de mudança nos projetos das vilas estavam vindo com muito atraso. Não houve nenhum apoio explícito por parte da MAUATUR que somente concordou com a questão do atraso nas reinvidicações.

 

O secretário Rui Saldanha atuou mais como mediador, embora tenha confirmado as opiniões da prefeitura no que diz respeito à pavimentação da RJ151, a criação de uma guarita (ou pórtico) na saída da Ponte do Marimbondo e a manutenção das pontes dos vales. A questão dos bolsões de estacionamento foi também comentada pelos secretários Rui Saldanha e Nilson Neves, que também se manifestou sobre o controle de tráfego de veículos principalmente na área acima da vila da Maromba. A secretária Roberta Oliveira, e o secretário Rui Saldanha, concordaram sobre a possibilidade de se fazer um pórtico com um centro de informações turísticas na Ponte do Marimbondo, e aí, foi o único momento em que os representantes da MAUATUR demonstraram algum interesse. (Exceção feita ao momento em que afirmei, meio que na base do humor, que ali não havia nenhum ambientalista, que nós estávamos ali com propostas práticas, para discussão, e um dos empresários da MAUATUR presentes, interrompeu para afirmar que ele é um ambientalista).

 

Da parte da ASSOMAR, os únicos a se manifestarem de maneira significativa fui eu e o presidente Cláudio Lopes.

 

Ao final da reunião, tínhamos perdido parte da confiança com que entramos. Lembro-me especificamente de estar caminhando com o Cláudio Lopes e com o Sr. Osvaldo Caniato, e este nos dizer que fizemos as coisas na hora errada e que “o bolo estava na porta do forno” e não era o momento para mudanças. Infelizmente, o momento certo nunca havia sido apresentado para nós.

 

Naquela mesma noite, o prefeito Luis Carlos “Ypê” fez nova reunião com a ASSOMAR. Ele perguntou a respeito da reunião no Olho D’Água e tratou de outros assuntos da comunidade.

 

O combinado havia sido que o estado marcaria uma nova reunião para tratar conosco. Mas a convocação não aparecia. Até que ocorreu uma reunião do pessoal do PBA, da qual a Sra. Carmen Lúcia participou. Ao final da reunião estávamos todos conversando do lado de fora do clube de Mauá (local da reunião), quando o vice da ASSOMAR Júlio César começou a puxar o Cláudio Lopes para um canto (ele faz isso constantemente quando eu estou por perto).

 

Como o Cláudio estava ali de carona comigo, respeitei mais uma vez a hostilidade, pois teria a oportunidade de conversar com o Cláudio no caminho para casa. Uma vez no carro, reforcei mais uma vez, a necessidade de criarmos um “pacto de convivência” na ASSOMAR de maneira a não ficarmos com essa hostilidade e falta de educação. O Cláudio me contou então, que ele e o vice foram conversar com a Sra. Carmen Lúcia, cobrando o agendamento de uma reunião de resposta. Parece que ela teria deixado transparecer um pouco de irritação, e se expressou de maneira pouco amistosa, afirmando que as reividicações feitas não poderiam ser atendidas sob o risco de o projeto ter que passar por todo um processo de reaprovação junto ao PRODETUR e retardando a sua realização.

 

Também foi nessa ocasião que ela veio com a “ameaça velada” de que a verba já liberada para a obra tem um prazo para ser utilizada e que corríamos o risco de perdê-la se fôssemos mexer no projeto. Desde então, essa se tornou a principal argumentação do vice Júlio César para tentar derrubar qualquer sugestão sobre as obras.

 

 

O prefeito Luis Carlos "Ypê" e sua chefe de gabinete Adriana Fontes, reunem-se com representantes da ASSOMAR na mesma noite da reunião na Pousada Olho D'Água.

A Coordenadora de obra Carmen Lúcia, faz apresentação para platéia no clube de Mauá.

 

 

Ninguém parece se dar conta de que as obras de urbanização das vilas nunca foram suspensas pela justiça e que a obra na vila de Mauá está paralisada por falta de pagamento aos contratados. O mesmo ocorre com a obra do Centro Turístico. Enquanto que a questão da pavimentação da RJ-151 com bloquetes, já foi concordada pelo vice-governador, desde que o secretário Rui Saldanha e a ASSOMAR convençam o presidente do DER. Mas a nova diretoria da ASSOMAR abriu mão por completo, de reinvidicar essa causa.

 

Duas novas reuniões, com a resposta do governo de estado, foram agendadas para ocorrer no dia 14 de junho, uma na vila de Maringá (de manhã) e outra na vila da Maromba (depois do almoço). Assim que soube das reuniões falei com o Cláudio Lopes a respeito de minha presença nelas. O Cláudio confirmou minha presença na reunião de Maringá, mas achou complicado que eu fosse à da Maromba.

 

Quero deixar bem claro aqui, que eu não precisava ter falado nada com o Cláudio Lopes, porque o meu nome já constava do ofício da delegação que negociaria com o governo do estado desde a primeira reunião em fevereiro. Como participei de todas as reuniões convocadas da ASSOMAR naquele período, e não houve nenhuma mudança oficial, nada escrito em ata, e nem votação para novos delegados, eu não só tinha o direito, como tinha a obrigação de estar nas reuniões.

 

Para não criar problemas e dentro de um espírito de cooperação, concordei com o Cláudio em não comparecer na reunião da Maromba. Nem discuti com ele.

 

No dia da reunião, cheguei cedo ao Centro Administrativo e já tive o primeiro indício do que estaria por vir quando o Administrador Regional perguntou o que eu estaria fazendo ali, pois ele tinha sido informado de que eu não participaria da reunião. Ele foi à loja do Cláudio Lopes, falou com ele, voltou e não retornou ao assunto. Nós três fomos buscar cadeiras no Quiosque do Gás para acomodar a todos no Centro Administrativo.

 

Os representantes dos governos do estado (trouxeram a tiracolo o pessoal do PBA da Casa Vermelha) e os do município começaram a chegar, e somente eu e outro casal de moradores estávamos no Centro Administrativo. Olhei pela varanda e vi um grupo da ASSOMAR reunido na Travessa do Visconde, conversando e aguardando a chegada de outros.

 

Isso é outra coisa que não dá para entender na cabeça desses camaradas. Você tem a oportunidade de estar em uma sala com diversos secretários municipais, sendo que a comunidade possui diversas carências e pendências, e fica todo mundo lá do lado de fora, sem tomar a iniciativa para nada.

 

Conversei com o secretário Nilson Neves a respeito dos bolsões de estacionamento (entreguei a ele um mapa da vila de Maringá com sugestão para pontos de criação dos bolsões). Falei com a secretária Roberta Oliveira sobre as eleições de Itatiaia. E ainda indaguei para o secretário Domingos Baumgratz, do Meio Ambiente, sobre a questão de um processo, que está na prefeitura há dois anos, para a abertura de uma trilha que permita a manutenção dos canos de abastecimento de água para 75 famílias no morro da Pousada do Cantinho da Paz. Tudo isso antes da reunião oficial!

 

Os meus colegas de ASSOMAR, quando chegaram, vieram acompanhados do vice-presidente da AMAMAUÁ. Mais tarde, ainda chegou o presidente da AMAMAUÁ.

 

Quando do início da reunião, nenhum de meus colegas olhava para mim, fui apertar a mão de um dos diretores e levou quase que 10 segs para ele se dar conta de minha mão extendida para ele. Eu já estava cheio de pressentimentos ruins, me distraí, e esqueci-me de fazer um comunicado oficial de que estava gravando a reunião.

 

Mais tarde, me informaram que achavam que viram o Sr. Vladir Fernandes fazer um sinal para o vice da ASSOMAR, Júlio César. Não sei afirmar se isso é verdade, mas não me surpreenderia.

 

Fato é que o vice Júlio César interrompeu a reunião, pedindo por uma questão de ordem e me questionou diretamente se eu tinha pedido autorização para gravar a reunião, e depois perguntou ainda quem havia me convidado para participar da reunião, porque eu não deveria estar ali.

 

 

A imagem acima, é do vice presidente da ASSOMAR (foto: reprodução do Facebook). Ao clicar sobre ela serão executado os últimos 1:30 minutos (de um total de 8:30 minutos) que gravei da reunião. O trecho final, aonde a gravação foi encerrada, é o vice da ASSOMAR argumentando que haveria uma negociação e/ou um acordo naquela reunião e que isso não deveria ser gravado.

 

 

Ninguém defendeu a minha permanência na reunião e, depois de ter pedido desculpas, ainda tentei manter o gravador ligado para registrar a reunião. O administrador regional, que é um CC, veio rapidamente com a opinião de que ali éramos “todos amigos” e que não havia necessidade de gravar a reunião. O arquiteto da SEOBRAS, que tinha sido rápido em responder que eu não havia solicitado a ele licença para gravar, não quis se comprometer mais e nenhum outro secretário municipal, ou a Sra. Carmen Lúcia, se opuseram. A moradora que estava lá com seu marido foi a única que afirmou não ver problemas em gravar a reunião, alegando que a gravação poderia ser divulgada para os outros moradores que não compareceram. Uma forma de prestação de contas. Houve alguns comentários de que não seria necessário gravar, mas naquele momento eu já tinha desligado o gravador.

 

O secretário Rui Saldanha, tentando quebrar a tensão do momento, soltou uma brincadeira sobre eu ser o Marcelo Juruna, já que eu estava sempre com o meu gravador.

 

Final de estória. Até o dia de hoje, não houve qualquer menção em reuniões públicas da ASSOMAR, sobre o que foi discutido nas duas reuniões. AS ATAS NÃO INFORMAM NADA! AS RESPOSTAS PARA OS ENCAMINHAMENTOS FEITOS NÃO FORAM DISCUTIDOS! NÃO HOUVE PRESTAÇÃO DE CONTAS!

 

O vice Júlio César não prestou contas para ninguém sobre o debatido ali e nem na Maromba. O pessoal da AMAMAUÁ, que não tinha porque estar lá (somente o fato do vice deles ser cunhado do vice da ASSOMAR), esteve em ambas as reuniões. Na verdade, o presidente da AMAMAUÁ não foi na reunião da Maromba, porque ficou conversando comigo na vila de Maringá durante quase duas horas após a reunião de Maringá.

 

Ninguém da MAUATUR apareceu na reunião da vila de Maringá, parece que sequer foram convidados. Eu mantive o meu combinado e não fui à reunião da vila da Maromba.

 

O único comentário que farei aqui acerca do conteúdo da reunião, é que, em certa altura, um diretor da ASSOMAR ressuscitou aquele velho argumento vencido de que o trânsito de Maringá melhorará quando a estrada para subida for aberta pelo lado mineiro. O curioso é que quando ele falou isso, os representantes do governo do estado se entreolharam, mas preferiram ficar calados. Afinal de contas, que valor tem a verdade, quando a mentira ajuda?

 

A partir dessa reunião desisti de qualquer esforço no sentido de melhorar o meu relacionamento com o vice da ASSOMAR. Não vale a pena perder mais do meu tempo com uma pessoa desse nível.

 

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