Um Retrospecto da ASSOMAR Segundo a Percepção de um de Seus Colaboradores - Parte III

 

 

Texto de Marcelo Brito      

Como se deu a infiltração da MAUATUR na ASSOMAR:

 

Introdução:

 

Não gosto de fazer as coisas à meia boca, portanto, uma vez que tomei a decisão espontânea de me envolver com as questões dessa comunidade comecei a procurar maneiras de me participar e contribuir. Cheguei à conclusão pessoal, de que uma das maiores deficiências regionais é a ausência de informações. Os chamados “jornais” ou “informativos” impressos da região são todos extremamente limitados e, na sua maioria, “comprometidos” com interesses de divulgação direcionada ($$$) das informações.

 

Um desses pseudo-jornalistas locais chega ao cúmulo de afirmar, para quem quiser ouvir, “que não vai colocar azeitona na empada dos outros”. Em outras palavras, para dar notícias tem que receber alguma coisa. A cabecinha dessa pessoa não consegue discernir a diferença entre informar e fazer propaganda.

 

Voltando ao assunto, muitas foram as reuniões informais entre eu, Cláudio Lopes e Daniel de Brito aonde discutimos a viabilidade de criarmos um novo informativo impresso regional. Algo para alcançar a comunidade além do público virtual do Blog ASSOMAR. Sempre esbarramos nos mesmos empecilhos (falta de comprometimento nosso e de financiamento) para realizar o empreendimento.

 

Foi mais ou menos nessa época que conheci o Sr. Joaquim Moura, do Amigos de Mauá, cujo trabalho achei interessante, apesar de não ser exatamente o que eu desejava.

 

Na minha opinião pessoal, Joaquim Moura enxerga o Amigos de Mauá mais como uma ferramenta educativa e um depositário de informações. O meu desejo era divulgar informações, comentá-las e oferecer um espaço para troca de opiniões. As duas visões não são excludentes e, na verdade, cada um de nós estava precisando da ajuda do outro. O Joaquim já dispunha de uma certa infra-estrutura em operação, mas possuía uma carga de trabalho muito pesada, para efetivamente operá-la sozinho. Eu dispunha de conhecimentos técnicos que poderiam melhorar os processos de comunicação do Amigos de Mauá e precisava da infra-estrutura (a riqueza de documentação no Amigos de Mauá é algo surpreendente) que ele dispunha, portanto chegamos a um compromisso de ajuda mútua entre nós e passei a contribuir com o Amigos de Mauá.

 

Amigos de Mauá no Facebook Amigos de Mauá no YouTube

 

O Amigos de Mauá já possuía uma lista de assinantes; mas fazia uso de uma forma bastante rudimentar, e trabalhosa, de interagir com eles. A primeira tarefa a que me propus, foi a de colocar o Amigos de Mauá no Facebook, de maneira a conseguir uma maior visibilidade e buscando tirar proveito das facilidades de interação entre a equipe editorial e o seu público em uma rede social de relaciomentos.

 

Usando os recursos do YouTube, oferecidos pela Google, na Internet, abrimos um novo canal de comunicação aonde podemos armazenar e disponibilizar vídeos e gravações.

 

Existe uma expectativa de introduzirmos outras novidades técnicas no Amigos de Mauá, como por exemplo, um visual novo, mas isso virá com o tempo.

 

Comecei então a escrever e publicar artigos para o Amigos de Mauá; e logo em um dos primeiros que publiquei, abri a porta para uma confusão que, na minha opinião, acabou por contribuir na infiltração da MAUATUR na ASSOMAR.

 

O Causo:

 

Antes de prosseguir, é preciso esclarecer que todos já esperávamos que, mais cedo ou mais tarde, as associações comerciais procurariam intervir de alguma maneira na ASSOMAR. Afinal, eles estão mal acostumados com o seu papel de “liderança inquestionada”, controlando o destino de toda a região, impondo o seu ponto de vista a todos, sem grandes questionamentos. Nós sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, na medida que começássemos a exercer o nosso papel como associação, haveria alguma forma de retaliação daqueles que não desejam dividir o seu papel de liderança e nem ver suas ações contestadas.

 

Ocorreu que, em 20 de fevereiro de 2012, publiquei um texto no qual procurei mostrar o absurdo a que se chegam as picuinhas entre certas pessoas e como que essas pessoas não têm a menor noção do incomodo que provocam não só à comunidade como a pessoas além dela, por conta de uma bobagem, sem a menor necessidade. Coisa de megalomaníaco.

 

Tive o trabalho de conversar pessoalmente com dois técnicos do ICMBio (um fiscal e um analista ambiental), com o diretor do Parque Nacional de Itatiaia, com o secretário de Meio Ambiente do município de Itatiaia (este contato foi por telefone), colhi e copiei documentos legais pertinentes ao problema, e fui de corpo presente ao local da confusão aonde fiz registros fotográficos do ocorrido.

 

Publiquei o meu artigo, aonde expus os fatos que apurei e declarei a minha opinião pessoal sobre o ocorrido. O assunto só não ficou encerrado porque uma das pessoas envolvidas na questão, e que, em minha opinião pessoal, tinha agido como o grande vilão do meu relato, era o então vice-presidente da MAUATUR, Sr. Ary Zonis da Pousada Moriá.

 

Sr. Ary Zonis, da MAUATUR, conversando com o Governador Sérgio Cabral no dia da inauguração da Estrada-Parque

Entrada da Pousada Moriá no alto da Maromba, próxima a cachoeira do Escorrega.

 

A partir da publicação desse artigo começaram a ocorrer vários fatos praticamente simultâneos:

 

- A ASSOMAR possuía então, e ainda possui, um diretor em seus quadros, de nome Carlos Roberto Barbosa (o Carlinhos do Escorrega), que possui estabelecimento comercial vizinho à Pousada Moriá. O Carlinhos começou a aparecer na loja do Cláudio Lopes (BA.BAU!) afirmando que eu teria entrado ilegalmente na Pousada Moriá para obter minhas fotos. O Cláudio, que por coincidência havia me acompanhado na minha ida ao Escorrega, mas não entrou na Pousada Moriá, explicou que estava presente e viu quando eu fui convidado a entrar na pousada (nós estávamos entrando no meu carro para partirmos, quando chegou o convite).

 

- O Sr. Ary Zonis fez contato com a direção da ASSOMAR, reclamou do meu texto, de minha pessoa (ou de minhas ações), e afirmou ter interesse em se filiar na associação. Disse que poderia ajudar a associação financeiramente (não sei dizer se ele propôs fazer um investimento próprio na associação, ou se ele se ofereceu para auxiliar a associação a levantar fundos).

 

- Imediatamente o Carlinhos do Escorrega surgiu com mais duas “novidades”: Primeiro, ele queria uma cópia do estatuto da ASSOMAR e depois manifestou seu desejo de ser o próximo Diretor Financeiro da associação.

 

A questão da cópia do estatuto foi penosa, porque, intuitivamente, sabíamos que o objetivo dele, em ter o estatuto era entregá-lo para a MAUATUR, na pessoa do Sr. Ary. Portanto, de imediato, começamos a questionar as intenções por trás dessa solicitação. Porém a verdade é que, na qualidade de associado, o Carlinhos tem todo o direito de ter cópia desse documento. Portanto, ele recebeu a cópia solicitada.

 

Agora, a questão da diretoria financeira, era uma outra história. Ele, imediatamente, começou a listar seus planos: Na sua opinião, a associação deveria abrir e gerenciar uma lojinha (vendendo refrigerantes, cervejas, sorvetes e doces) no centro de Maringá para gerar caixa. Em suma, ele estava propondo que a associação abrisse uma loja concorrente ao então vice-presidente da associação (atual presidente e quem, desde a fundação da associação, mais tempo pessoal dedicou a ela). A loja teria que cobrir despesas de aluguel, pagamento de funcionário(s), estoque de fornecedores e garantir o caixa da associação. Apesar, de ninguém querer levar esse assunto a sério, o Carlinhos não desistia de discutí-lo com o próprio Cláudio Lopes, no horário de funcionamento do BA.BAU!. Portanto, o Cláudio não tinha como evitar desgastar-se com essa discussão.

 

- Pessoalmente não tenho como confirmar ou desmentir nenhumas das informações citadas a seguir: Mas começaram a chegar relatos, vindos de segundos e terceiros, que o meu nome havia sido muito citado na reunião seguinte da MAUATUR. Depois, chegaram mais "notícias" dando conta de que a MAUATUR, como entidade, teria solicitado a seu vice-presidente que não fizesse qualquer retaliação, contra mim (ou contra a minha publicação) naquele instante e que esse pedido teria levado a algum desentendimento por lá, que resultou no pedido de demissão do vice-presidente.

 

O que posso afirmar com certeza, é o que consta no estatuto da ASSOMAR:

 

  • O artigo 10 e seu primeiro parágrafo criam as figuras do Sócio Colaborador e Sócio Benemérito. O primeiro é específico para pessoa jurídica, e o segundo para uma pessoa física, que colaboram ou contribuem, com a associação nas formas de trabalho, financeiramente ou através de outras doações. O estatuto esclarece que ambos os tipos de sócio não têm direito a votarem ou serem votados para qualquer cargo na associação.

 

  • O artigo 36 afirma que qualquer associado que fundar ou dirigir agremiação que tenha objetivos concorrentes aos da associação de moradores será desligado da ASSOMAR.

 

Portanto, não é preciso ser nenhum gênio para concluir que, a única maneira do Sr. Ary Zonis ocupar um cargo diretivo na ASSOMAR seria abrindo mão da vice-presidência da MAUATUR, uma vez que a MAUATUR tem o costume de se apresentar como representante dos comerciantes e dos moradores da região.

 

Eleição de Diretoria e Conselho Fiscal da ASSOMAR

No canto inferior esquerdo da imagem, de pernas cruzadas e chapéu, o Carlinhos da Maromba.

 

Coincidência, ou não, o fato é que na reunião seguinte da ASSOMAR (em 29 de março), quando elegemos uma nova diretoria, o nome do Sr. Ary Zonis foi sugerido pelo atual vice-presidente da ASSOMAR, Julio César (cerveja Serra Gelada), para assumir o cargo de Diretor de Patrimônio.  Eu estava sentado à mesa com o Cláudio Lopes e com o próprio Julio César quando a indicação foi feita.

 

Ao final da eleição, já haviam claros sinais de que alguma coisa estava no ar. Do lado de fora do restaurante aonde fizemos a reunião, estava o Ronivon Paiva (vice-presidente da AMAMAUÁ) e sua esposa Regiane Balieiro (da equipe da UERJ contratada para acompanhar o cumprimento do PBA da Estrada-Parque). Junto com o Julio César e sua esposa Catia (que é irmã do vice da AMAMAUÁ), fizeram uma rodinha em torno do Cláudio Lopes, novo presidente recém empossado. A roda foi composta de maneira a não permitir a minha participação na conversa. O Júlio César se posicionou de costas para mim, propositadamente barrando a minha passagem (não foi a primeira, e nem a última vez, que ele tomou essa atitude hostil). Quando finalmente encontrei uma brecha para acompanhar o assunto, tanto ele, como o Rony evitaram olhar para mim, chegando ao ponto de ambos ficarem olhando para o céu nublado. E em qualquer comentário que eu fizesse, eles interrompiam a minha fala como se eu não estivesse ali presente. Quando a roda foi desfeita, dos quatro, a única a se despedir de mim foi a Regiane Balieiro.

 

Já era um prenúncio do que estaria por vir.

 

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