Um Retrospecto da ASSOMAR Segundo a Percepção de um de Seus Colaboradores - Parte II

 

 

Texto de Marcelo Brito      

O projeto de reurbanização da Maromba:

 

 

No segundo semestre de 2011, recebemos a informação de que o governo do estado estaria aberto à discussão de sugestões de mudanças nos projetos de Urbanização das Vilas de Maringá e Maromba e da RJ-151.

 

O arquiteto Paulo Gustavo (PG) Bastos, então o principal interlocutor da SEOBRAS na região, se dispôs a realizar uma caminhada, com secretários do município de Itatiaia e representantes da associação de moradores, pelas vilas de Maringá e Maromba, para explicar o projeto do governo.

 

Fui o único representante da ASSOMAR que acompanhou todo o percurso, enquanto que pelo município, os secretários Rui Saldanha (Planejamento) e Domingos Baumgratz (Meio Ambiente) também percorreram o trajeto. Por motivos que desconheço, a MAUATUR não tinha representantes presentes. 

 

 

Paulo Gustavo Bastos, o PG da SEOBRAS  (foto de Darshana Buhler)

Rui Saldanha, Secretário de Planejamento do Município de Itatiaia (foto do site da Prefeitura de Itatiaia) Domingos Baumgratz, Secretário de Meio Ambiente do Município de Itatiaia (foto de Darshana Buhler)

 

 

Lentamente, a partir desse momento, o assunto foi sempre levantado em discussões entre a ASSOMAR e a prefeitura de Itatiaia. E essas discussões acabaram resultando no Caderno de Encaminhamentos da ASSOMAR entregue ao governo do estado do RJ, no inicio de abril de 2012.

 

Para elaborarmos o Caderno de Encaminhamentos, houve diversas discussões internas na ASSOMAR e, no caso da urbanização da vila da Maromba, realizamos três reuniões públicas, aonde o debate sobre o projeto resultou em diversos atritos internos.

 

 

A Primeira e Segunda Reunião na vila da Maromba

 

O então diretor da ASSOMAR, Daniel de Brito; apresentou um projeto arquitetônico da praça, alternativo ao projeto sugerido pelo governo do estado. Foi marcada uma reunião pública na Maromba, à qual eu não compareci e, portanto, não presenciei, mas da qual recebi diversos relatos em segunda mão.

 

Todos os comentários que ouvi, à exceção dos vindos do Daniel, diziam que a comunidade da Maromba rejeitava qualquer projeto de praça e preferia que o local permanecesse com o formato de um arraial. O Daniel argumentou vigorosamente que esse não havia sido o entendimento dele, e afirmou que estava mantendo contato com diversos residentes e comerciantes, da Maromba, que estariam favoráveis a um projeto alternativo para a  praça.

 

Ele foi tão enfático em sua argumentação que a associação achou por bem ceder e realizar mais duas reuniões abertas. Na primeira, foi reapresentado o projeto alternativo do Daniel, com a presença da arquiteta autora do projeto (Daniela Ferro). Os presentes a essa reunião discutiram o projeto e tiveram a oportunidade de propor mudanças a ele. As mudanças seriam realizadas pela arquiteta e o projeto seria apresentado para uma votação final.

 

Enquanto isso, o Caderno de Encaminhamentos já estava sendo produzido, e seu fechamento estava dependendo unicamente da resolução do impasse na Maromba.

 

 

 

As imagens aqui mostradas são da proposta final, do projeto alternativo de autoria original da arquiteta Daniela Ferro, já com modificações propostas por moradores da região, após a segunda reunião da Maromba.

 

 

 

O Relatório da Equipe do Plano Básico Ambiental

 

Outro acontecimento, relacionado a esse assunto, gerou novos atritos na ASSOMAR.

 

Na qualidade de colaborador do Conselho Gestor, e mais tarde representante da ASSOMAR no conselho, fui nomeado para coordenar uma câmara técnica de estudos sobre o cumprimento do Plano Básico Ambiental da Estrada-Parque. Uma das minhas incumbências era acompanhar os relatórios divulgados pela equipe do PBA e, certo dia, ao ler um deles, encontrei um documento afirmando que a ASSOMAR, representada pelo Sr. Daniel de Brito, teria apresentado um projeto alternativo para a urbanização da vila da Maromba.

 

Como eu acompanhava todas as reuniões da ASSOMAR, sabia que nenhum projeto havia sido aprovado pela associação. Informei ao responsável pela equipe de comunicação social do PBA, Sr. Ronaldo Gueraldi que: no meu entender, havia ocorrido algum mal entendido, que o fato seria levado à associação e que ele, e sua equipe, receberiam um pronunciamento oficial da ASSOMAR sobre o assunto.

 

Conversei em particular com o Cláudio Lopes e resolvemos aguardar até a primeira reunião para tornarmos o problema público. Nessa reunião tomei a iniciativa de expor o problema e, após votação dos presentes, resolvemos enviar um ofício para a equipe da UERJ explicando que a associação ainda não tinha um projeto a apresentar, que o assunto estava sob discussão e em breve teríamos uma resolução.

 

Ainda na mesma reunião, foi discutida a atitude do Daniel de Brito (ele nunca negou ter apresentado o projeto) e se deveria haver alguma repercussão interna. A assembléia votou por repreender internamente o Daniel, mas sem qualquer outra repercussão. A situação causou um mal estar pessoal entre o Daniel (que se magoou com o fato de nós não termos conversado com ele antes da reunião) e o Cláudio e mim (que denunciamos o ocorrido, e pedimos punição ao fato).

 

A proposta feita, defendida e decidida, pelo governo do estado do Rio de Janeiro. Idealizada, sem que fosse realizada uma única consulta à ASSOMAR ou à comunidade de moradores da região.

 

 

Terceira Reunião na vila da Maromba

 

O fato é, que tivemos uma terceira reunião na Maromba, e esta transcorreu em um clima pesado, principalmente entre o Daniel de Brito e o Cláudio Lopes. O projeto alternativo não foi aprovado, o Daniel se ressentiu muito com o fato e, infelizmente não lidou bem com sua frustração. Fez diversos desabafos pela Internet (Facebook), que só pioraram a situação junto à associação e, que acabaram por resultar em um afastamento espontâneo, por parte dele, Daniel, do convívio que tinha conosco na ASSOMAR.  

 

A opção aprovada de manter a vila da Maromba com o seu formato atual foi incorporada ao Caderno de Encaminhamentos, entregue ao governo do estado e repassada para o pessoal da Casa Vermelha da UERJ.

 

Todo esse processo teve um custo à associação, na forma da perda de um colaborador participativo e a mim pessoalmente com o distanciamento, pelo menos temporário, de um amigo.

Essa é a proposta que foi defendida e apoiada pela maioria dos moradores da região da Maromba.

Para mim, pessoalmente, essa votação deixou uma coisa muito clara e que deveria ser mais bem observada pelos nossos governantes municipais e estaduais. Essa proposta, obviamente, não foi a vencedora por ser a mais bonita, ela foi a mais prática. Os eleitores locais ao votarem nela deixaram bem claro a sua descrença de que o governo (tanto estadual, como municipal) tenham a intenção, e a competência, para resolver o problema do estacionamento de carros na Maromba.

 

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